Auditor ligado à alfândega do Rio é apontado como líder de esquema milionário investigado pela PF
- Marcus Modesto
- há 2 horas
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O auditor-fiscal Pedro Antônio Pereira Thiago, afastado durante a Operação Mare Liberum, surge nas investigações como uma das principais figuras de um suposto esquema de corrupção que atuava no Porto do Rio. Ele está entre os 17 servidores retirados de suas funções por decisão judicial.
Nomeado delegado da Alfândega em 2020, durante o governo de Jair Bolsonaro, Pedro Thiago permaneceu no cargo até novembro de 2023, já na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Informações divulgadas pelo jornalista Lauro Jardim indicam que havia movimentações internas tanto para mantê-lo em posições estratégicas quanto resistência à sua substituição dentro da Receita Federal.
Pouco antes da operação ganhar as ruas, o auditor obteve aposentadoria voluntária com vencimentos integrais, oficializada no Diário Oficial da União no último dia 8.
Dinheiro em espécie e bens de luxo
A ofensiva foi desencadeada pela Polícia Federal, com apoio da própria Receita e do Ministério Público Federal. Durante o cumprimento de mandados, os agentes encontraram grandes quantias em dinheiro vivo, além de dólares e itens de alto valor.
Entre os materiais apreendidos estão 54 garrafas de vinho avaliadas em cerca de R$ 700 cada, localizadas na casa de um despachante investigado. Já na residência de uma auditora fiscal, na Barra da Tijuca, foram encontrados milhões de reais em espécie. Também houve apreensão de moeda estrangeira em Niterói.
Esquema pode ter causado prejuízo bilionário
Segundo as autoridades, o grupo atuava facilitando a entrada irregular de mercadorias no país, mediante pagamento de propinas. A prática envolvia liberação de cargas sem fiscalização adequada e divergências entre o que era declarado e o que efetivamente chegava ao país.
O prejuízo estimado aos cofres públicos pode chegar a R$ 500 milhões.
Ao todo, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em cidades como Niterói, Nilópolis, Nova Friburgo e Vitória (ES). A Justiça determinou ainda o afastamento de 17 auditores fiscais e 8 analistas tributários, além do bloqueio de até R$ 102 milhões em bens.
Os investigados podem responder por uma série de crimes, incluindo corrupção ativa e passiva, contrabando, descaminho, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
PortosRio nega envolvimento
Em nota, a autoridade portuária afirmou não ser alvo da investigação e destacou que os fatos apurados estão restritos à atuação de órgãos federais responsáveis pela fiscalização aduaneira. A PortosRio também informou que as operações no porto seguem normalmente, sem impactos.
A operação contou ainda com apoio da Corregedoria da Receita e do Gaeco, reforçando o cerco a práticas ilícitas dentro de estruturas estratégicas do comércio exterior brasileiro.




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