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Barra Mansa desperdiça mais de um terço da água tratada enquanto bairros sofrem com desabastecimento

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 16 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

Enquanto moradores de diversos bairros de Barra Mansa enfrentam rotineiros cortes de abastecimento e distribuição precária de água, os dados oficiais revelam um cenário alarmante de desperdício. Segundo o Painel Saneamento Brasil, baseado em informações do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), 35,1% de toda a água tratada no município é perdida antes de chegar às torneiras da população.


Isso significa que mais de um terço da produção de água do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) simplesmente desaparece na rede, seja por vazamentos, fraudes, falhas técnicas ou má gestão. Um índice que escancara o problema estrutural e operacional enfrentado pela autarquia municipal, cujos investimentos não têm sido suficientes para conter as perdas ou garantir uma rede de distribuição eficiente.


A gravidade do problema se evidencia ainda mais ao observar que quase 74% da população recebe água de forma irregular, o que representa uma das piores marcas do estado. Além disso, mais de 33 mil pessoas estão sem acesso regular à água, segundo os mesmos dados. O contraste entre o volume de água tratada e o número de moradores com fornecimento instável evidencia um sistema ineficaz, que desperdiça recursos e penaliza justamente as comunidades mais vulneráveis.

A situação gera impactos diretos não só na saúde pública — já que a falta d’água favorece a proliferação de doenças de veiculação hídrica — mas também na educação e no rendimento das famílias. Dados do Datasus mostram que foram registradas 13,57 internações a cada 10 mil habitantes por doenças ligadas à água em 2023, com um gasto de mais de R$ 26 mil apenas com esses tratamentos.


Apesar do cenário crítico, o Saae e a Prefeitura ainda não apresentaram um plano consistente de modernização da rede nem uma meta pública de redução das perdas. O problema parece ter se naturalizado na cidade, onde a população paga pela água que não consome, enquanto milhares seguem enfrentando dias secos nas torneiras.


Barra Mansa precisa encarar o desperdício como um problema urgente de infraestrutura e gestão. Não se trata apenas de números em relatórios técnicos — mas de vidas impactadas, dinheiro público jogado fora e um serviço essencial sendo negligenciado.



 
 
 

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