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Barra Mansa perde mais uma vez: a culpa também é do eleitor

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 16 minutos
3 min de leitura

Marcus Modesto


Barra Mansa precisa olhar para o resultado das urnas com vergonha — e, principalmente, com disposição para fazer uma autocrítica. Enquanto Volta Redonda consegue eleger três deputados estaduais, Barra Mansa, mais uma vez, termina uma eleição sem colocar sequer um representante da própria cidade na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).


E não estamos falando de uma cidade pequena ou sem peso eleitoral. Barra Mansa tem 133.743 eleitores aptos a votar. É um dos maiores colégios eleitorais do Sul Fluminense. Tem população, história, economia e problemas suficientes para exigir uma representação política à altura de suas necessidades.


Mas existe um dado ainda mais preocupante: 28.627 eleitores de Barra Mansa não compareceram às urnas neste primeiro turno. Foram mais de 28 mil pessoas que poderiam ter participado da escolha dos representantes da cidade.


É um número gigantesco.


Para se ter uma ideia da dimensão dessa abstenção, 28.627 votos correspondem a um contingente eleitoral capaz de decidir uma eleição para deputado estadual. É praticamente uma cidade inteira deixando de participar da escolha de quem vai representar a região na Alerj.


Enquanto isso, o eleitor que compareceu às urnas dividiu seus votos entre dezenas de candidatos, muitos deles de fora de Barra Mansa. O resultado está aí: Volta Redonda elegeu três deputados estaduais e Barra Mansa não elegeu nenhum.


Depois, a cidade reclama da falta de representação, de investimentos, de obras, de saúde, de segurança e de atenção do governo estadual.


Mas é preciso fazer uma pergunta incômoda: como cobrar força política se a própria cidade não consegue transformar seu tamanho eleitoral em representação?


Não existe representação sem voto.


E a responsabilidade não é apenas dos candidatos. É preciso cobrar campanhas, partidos e lideranças locais. Mas o eleitor também precisa assumir sua parcela de responsabilidade.


Barra Mansa tem 133.743 eleitores. Só a abstenção chegou a 28.627 pessoas. É um número que deveria provocar uma profunda reflexão.


Quantos desses eleitores poderiam ter feito a diferença?


Quantos votos foram desperdiçados em candidatos sem qualquer compromisso com a cidade?


Quantos poderiam ter ajudado a construir uma bancada de Barra Mansa na Alerj?


Enquanto Volta Redonda demonstra capacidade de concentração eleitoral e transforma votos em representação, Barra Mansa continua pulverizando sua força.


E depois reclama.


Não se trata de defender que o eleitor seja obrigado a votar em candidato da cidade. O voto é livre e cada cidadão tem o direito de escolher quem quiser. A questão é outra: uma cidade com mais de 133 mil eleitores precisa compreender a força que possui quando decide eleger representantes comprometidos com seu território.


Se 28.627 pessoas simplesmente não foram votar, enquanto milhares de outras espalharam seus votos entre candidatos de diferentes cidades, fica evidente que Barra Mansa precisa discutir seriamente sua estratégia eleitoral.


A cidade não pode continuar sendo apenas um grande curral eleitoral para candidatos de fora.


Volta Redonda elegeu três deputados estaduais. Barra Mansa, com 133.743 eleitores, elegeu zero.


Esse resultado não é apenas uma derrota dos candidatos. É também um fracasso coletivo de articulação política e uma oportunidade para o eleitor fazer sua própria autocrítica.


Porque, no fim das contas, a urna apenas revela a força que uma cidade foi capaz de construir.


E Barra Mansa, mais uma vez, mostrou que ainda não aprendeu a transformar seu enorme eleitorado em representação política.


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