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Beira-Rio vira alvo de revolta popular: destruição de vegetação, fuga de animais e silêncio das autoridades ampliam crise ambiental em Barra Mansa

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 10 de jul.
  • 3 min de leitura

Por Marcus Modesto


A intervenção realizada pela Prefeitura de Barra Mansa na região da Beira-Rio está provocando uma forte reação de moradores, ambientalistas e defensores da causa animal. O que deveria representar uma obra de revitalização urbana passou a ser apontado por parte da população como um possível caso de degradação ambiental que exige esclarecimentos urgentes dos órgãos fiscalizadores.


As denúncias envolvem a derrubada de dezenas de árvores frutíferas e exemplares de vegetação que serviam de abrigo e alimento para diversas espécies da fauna local. Com o avanço das máquinas, moradores relatam o desaparecimento de aves antes comuns na região, como sabiás, sanhaços, saíras, saíras-sete-cores, gaturamos, tizis, almas-de-gato, gralhas e jacutingas.


Os impactos sobre os mamíferos também têm chamado atenção. Segundo relatos de moradores, micos passaram a aparecer em quintais e áreas residenciais próximas após a retirada da vegetação. Um morador afirma que um casal passou a frequentar sua residência, enquanto outro casal foi visto em uma propriedade vizinha.


Também foram registrados relatos de tatus vagando sem rumo pela Beira-Rio e por ruas próximas. Para os denunciantes, a cena evidencia o deslocamento forçado de animais silvestres após a destruição de áreas que serviam de habitat natural. Moradores também relatam a presença de preás, gambás e capivaras em locais incomuns, comportamento que atribuem às mudanças provocadas pela obra.


A preocupação não se limita à fauna. Há questionamentos sobre o aterramento de áreas próximas ao Rio Paraíba do Sul e sobre os possíveis impactos na dinâmica do curso d’água. Moradores mais antigos lembram que intervenções realizadas ao longo das últimas décadas já alteraram significativamente a paisagem da margem do rio e temem que novos aterros agravem problemas ambientais futuros.


Diante desse cenário, cresce a cobrança para que o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) se manifeste publicamente e informe quais licenças ambientais foram emitidas, quais estudos embasaram a intervenção e quais medidas compensatórias estão previstas para minimizar os impactos causados pela supressão da vegetação.


Outra cobrança que ganha força é dirigida ao Conselho Municipal de Meio Ambiente. Moradores questionam qual tem sido a participação do órgão no acompanhamento da obra e se houve análise dos impactos sobre a fauna, a flora e as áreas ribeirinhas afetadas pela intervenção.


As críticas também alcançam a Câmara Municipal de Barra Mansa. Moradores cobram uma atuação mais firme dos vereadores, cuja função constitucional inclui a fiscalização dos atos do Poder Executivo. Para os denunciantes, o Legislativo precisa promover debates públicos, solicitar informações oficiais e acompanhar de perto os desdobramentos ambientais da obra.


A gestão do prefeito Luiz Furlani também é alvo dos questionamentos. Críticos da intervenção afirmam que a população ainda não recebeu explicações suficientes sobre os impactos ambientais provocados pela retirada da vegetação e pelo aterramento da área às margens do Paraíba do Sul.


Enquanto os trabalhos avançam, cresce a sensação de indignação entre moradores que acompanham a transformação da Beira-Rio. Para eles, a principal questão continua sem resposta: qual o benefício real da obra se o preço a ser pago for a perda de árvores, a expulsão de animais silvestres e a descaracterização de uma das áreas mais importantes da relação histórica entre Barra Mansa e o Rio Paraíba do Sul?


As cobranças agora se concentram sobre a Prefeitura, o INEA, o Conselho Municipal de Meio Ambiente e a Câmara de Vereadores. Os moradores afirmam que não se trata apenas de uma obra urbana, mas de uma questão ambiental que exige transparência, fiscalização e respostas imediatas à sociedade.



 
 
 

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