PL barra candidatura de major da ativa após críticas à cúpula das Forças Armadas
- Marcus Modesto
- há 1 hora
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A direção nacional do Partido Liberal (PL) decidiu não manter o major Emmanuel Novaes entre os nomes da legenda para as eleições de 2026. O militar, que atua como piloto de caça em Roraima e estava articulando uma candidatura a deputado federal, perdeu o respaldo partidário após manifestações públicas dirigidas a integrantes do alto comando das Forças Armadas.
A informação foi divulgada pela colunista Bela Megale, de O Globo. Segundo a publicação, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, procurou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, para tratar da situação do oficial. A avaliação apresentada ao dirigente partidário levou à decisão de retirar o apoio à pré-candidatura.
O caso ganhou dimensão política principalmente porque Novaes permanece no serviço ativo. Nas redes sociais, o major vinha adotando um discurso de forte oposição à cúpula militar e utilizando a expressão “fim dos melancias”, termo empregado por grupos da direita radical para se referir, de maneira depreciativa, a militares que seriam considerados alinhados a posições de esquerda.
As manifestações colocaram a atuação política do oficial no centro da discussão. Militares da ativa estão sujeitos a regras específicas relacionadas à participação político-partidária e à manifestação pública, justamente em razão dos princípios de hierarquia e disciplina que estruturam as Forças Armadas.
Conflito entre atividade militar e projeto eleitoral
A tentativa de transformar a atuação nas redes sociais em plataforma eleitoral acabou criando um problema para o próprio partido que pretendia abrigar a candidatura.
Novaes vinha construindo sua imagem política a partir de críticas a integrantes da estrutura de comando militar. O posicionamento encontrou espaço entre setores do eleitorado mais identificado com o bolsonarismo, mas também provocou reação dentro da área de Defesa.
A interlocução entre José Múcio e Valdemar Costa Neto foi decisiva para que o PL optasse por não levar adiante a candidatura do major. A decisão mostra que, mesmo em um partido que reúne diversos representantes ligados às forças de segurança e às Forças Armadas, há limites para manifestações que possam ser interpretadas como confronto com a hierarquia militar.
O episódio também ocorre em um momento de atenção especial sobre a presença de militares da ativa na política. A legislação eleitoral e as normas das próprias Forças Armadas estabelecem procedimentos e restrições para que integrantes dessas instituições possam disputar cargos eletivos.
Major diz que não pretende abandonar projeto político
Após tomar conhecimento da decisão, Emmanuel Novaes reagiu nas redes sociais e demonstrou que pretende continuar tentando viabilizar sua candidatura.
Sem o PL, entretanto, o major terá de avaliar outras possibilidades partidárias para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, além de observar as regras e os prazos previstos pela legislação eleitoral.
A retirada do apoio do PL representa uma mudança significativa nos planos eleitorais do militar, que vinha apostando justamente em um discurso de confronto com setores do comando das Forças Armadas.
O episódio coloca em evidência uma questão que deverá acompanhar o processo eleitoral de 2026: até onde pode avançar a atuação política de militares da ativa e quais são os limites entre a liberdade de expressão individual, a participação eleitoral e os deveres institucionais impostos pela carreira militar.




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