Contas de Rodrigo Drable voltam ao centro do debate: processo no TCE-RJ chega ao Ministério Público de Contas
- Marcus Modesto
- há 1 minuto
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O pré-candidato a deputado estadual e ex-prefeito de Barra Mansa, Rodrigo Drable, volta a enfrentar um tema politicamente delicado justamente no momento em que tenta construir seu projeto eleitoral: a situação das contas de sua gestão à frente da Prefeitura.
A imagem obtida no sistema de tramitação do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) mostra uma movimentação recente e importante. Em 5 de agosto de 2026, o processo passou pelo Ministério Público de Contas (MPC) e, na sequência, foi encaminhado ao Gabinete do Procurador-Geral. Pouco antes, o procedimento havia circulado pela Secretaria-Geral de Controle Externo, pela Coordenadoria Setorial de Contas de Governo Municipal e pelo Núcleo de Distribuição.
Ou seja: o processo está em uma etapa de análise dentro do sistema de controle externo e ainda não representa uma decisão definitiva.
E é justamente aí que começa a questão política.
As contas de 2024 ainda são uma pedra no caminho
O processo TCE-RJ nº 212557-1/2025 corresponde à prestação de contas de governo de Barra Mansa referente ao exercício de 2024, último ano da administração Rodrigo Drable. O próprio TCE identifica Rodrigo Drable como interessado e o conselheiro Rodrigo Melo do Nascimento como relator. O processo permanece registrado como pendente.
Segundo levantamento publicado anteriormente sobre o caso, a análise técnica e o Ministério Público de Contas apontaram questões relevantes envolvendo a gestão fiscal daquele exercício, entre elas desequilíbrio financeiro, possível descumprimento do artigo 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal e problemas relacionados aos repasses patronais ao Previbam.
É uma situação que merece atenção porque Rodrigo Drable pretende voltar à política estadual justamente apresentando-se como alguém com experiência administrativa.
Mas experiência administrativa também significa ter de explicar as contas deixadas para trás.
O passado não pode ser apagado pela campanha
É importante registrar que Rodrigo Drable também possui resultados favoráveis no histórico de prestação de contas. As contas de 2021, por exemplo, receberam parecer prévio favorável do TCE-RJ, assim como as referentes a 2022.
Mas existe outro capítulo que não pode ser ignorado.
Nas contas de 2018, o TCE-RJ chegou a emitir parecer contrário à aprovação, apontando, entre outras questões, problemas relacionados à utilização de recursos do Fundeb. Posteriormente, a Câmara Municipal aprovou as contas por 14 votos a 5.
Portanto, seria irresponsável transformar o atual processo em uma condenação antecipada. Não há, neste momento, decisão definitiva que permita afirmar que Rodrigo Drable está inelegível ou condenado por essas contas.
Mas também seria igualmente irresponsável fingir que nada está acontecendo.
O relógio eleitoral corre
A movimentação registrada em 5 de agosto ganha peso político porque acontece quando o nome de Rodrigo Drable volta a circular como pré-candidato a deputado estadual.
A pergunta que precisa ser feita pela população é simples:
qual será o discurso de Rodrigo Drable para pedir votos em Barra Mansa e no Sul Fluminense enquanto sua gestão ainda é submetida ao escrutínio do Tribunal de Contas?
Um candidato a deputado estadual não deveria apenas apresentar obras, fotografias e discursos políticos. Deveria também apresentar transparência sobre a situação fiscal da administração que comandou.
E o eleitor tem o direito de perguntar, antes da urna:
• O município fechou 2024 em equilíbrio financeiro?
• Os repasses previdenciários foram realizados integralmente?
• Houve cumprimento do artigo 42 da LRF?
• Qual foi o impacto das decisões administrativas tomadas no último ano de governo?
• O que Rodrigo Drable responde às observações feitas pelo controle externo?
• E, principalmente, qual será a consequência para os cofres públicos caso as irregularidades apontadas sejam confirmadas?
De prefeito a candidato: a cobrança muda de endereço
Rodrigo Drable já não ocupa a cadeira de prefeito. Agora, se pretende conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, terá de convencer o eleitor de que sua experiência municipal é um ativo — e não um passivo.
A tramitação mostrada no documento não significa culpa. Mas também não é uma certidão de inocência. É um processo que continua sendo analisado pelos órgãos de controle.
E talvez esse seja o ponto mais importante desta história.
Enquanto a política costuma trabalhar com slogans, o Tribunal de Contas trabalha com números, documentos, responsabilidades e legislação.
Na campanha eleitoral, Rodrigo Drable poderá falar sobre seu legado. Mas terá também de responder sobre as contas do último ano de seu governo.
E, para o eleitor de Barra Mansa, a pergunta é inevitável: antes de entregar novamente seu voto a quem já administrou a cidade, não seria razoável conhecer primeiro o resultado definitivo da prestação de contas dessa administração?
A resposta caberá ao eleitor — mas, antes dela, caberá aos órgãos de controle concluir a análise.
Foto Arquivo




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