BNDES pede reforço bilionário para ampliar crédito a empresas impactadas por tarifas dos EUA
- Marcus Modesto
- 17 de jul.
- 2 min de leitura
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) solicitou ao governo federal a liberação antecipada de R$ 7,25 bilhões para fortalecer as linhas de financiamento destinadas a empresas brasileiras afetadas pelo aumento das tarifas de importação adotadas pelos Estados Unidos. O pedido foi encaminhado ao Tesouro Nacional diante da forte procura por recursos do Plano Brasil Soberano, criado para reduzir os efeitos das barreiras comerciais sobre a economia nacional.
A demanda por crédito cresceu rapidamente nos últimos meses e já se aproxima do limite disponível no programa. Os financiamentos solicitados por empresas somam cerca de R$ 18,4 bilhões, valor próximo da capacidade total atualmente prevista, estimada em R$ 21 bilhões após reforços realizados pelo próprio banco de desenvolvimento.
A iniciativa busca atender principalmente exportadores e fornecedores que sofreram impactos diretos das novas taxas anunciadas pelo governo norte-americano. A medida dos Estados Unidos elevou tarifas sobre parte dos produtos brasileiros, afetando setores considerados estratégicos para a pauta de exportações do país.
Os recursos adicionais seriam destinados ao Fundo de Garantia à Exportação (FGE), mecanismo que passou a ter papel ampliado neste ano. Além de oferecer garantias para operações de comércio exterior, o fundo passou a financiar diretamente linhas de crédito voltadas à preservação da atividade econômica, dos investimentos e dos empregos em segmentos mais vulneráveis.
Entre os setores que mais têm procurado financiamento estão os de alimentos, medicamentos, fertilizantes, minerais estratégicos e máquinas industriais. A expectativa é que o acesso ao crédito permita às empresas manter projetos em andamento, reforçar o capital de giro e enfrentar eventuais perdas provocadas pela redução da competitividade no mercado internacional.
Técnicos do Ministério da Fazenda e do BNDES também avaliam a necessidade de novos aportes para garantir que o programa continue atendendo a demanda crescente das empresas. A preocupação do governo é evitar reflexos negativos sobre a produção, os investimentos e o emprego em um cenário de maior tensão no comércio global.
Desde o lançamento do Plano Brasil Soberano, o volume de solicitações tem aumentado de forma acelerada. Em poucos meses, os pedidos saltaram de cerca de R$ 5 bilhões para mais de R$ 18 bilhões, indicando que o setor produtivo tem recorrido ao programa como uma das principais ferramentas para enfrentar as incertezas provocadas pelas mudanças no cenário internacional.
O governo federal também anunciou que prepara novas medidas de apoio aos setores afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, ampliando a estratégia de proteção à indústria e às exportações brasileiras.




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