Bolsonaro e filho podem virar réus novamente no STF em investigação sobre obstrução da trama golpista
- Marcus Modesto
- 12 de set. de 2025
- 2 min de leitura
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) estão cada vez mais pressionados no campo jurídico e político. Ambos foram indiciados pela Polícia Federal por obstrução do processo da trama golpista e, se o Ministério Público Federal apresentar denúncia, podem se tornar réus pela segunda vez no Supremo Tribunal Federal (STF).
Além dos dois, o pastor Silas Malafaia também é investigado no mesmo inquérito, que mira tentativas de manipular e travar a responsabilização pelos atos golpistas de 2023.
Tornozeleira e prisão domiciliar
Foi nesse processo que Jair Bolsonaro passou a usar tornozeleira eletrônica e, semanas depois, foi colocado em prisão domiciliar por ordem do ministro Alexandre de Moraes. A justificativa da Corte foi clara: impedir que o ex-presidente continuasse a atuar para sabotar a ação penal já em curso.
O caso, no entanto, ainda depende da decisão do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que analisará se oferece ou não denúncia contra pai e filho.
Atuação internacional de Eduardo
Eduardo Bolsonaro está no centro das atenções por sua articulação nos Estados Unidos. Muito antes da posse de Donald Trump, ele já atuava em defesa de medidas hostis contra o Brasil, incluindo a revogação de vistos de ministros do STF, concretizada em julho.
Segundo a PF, Eduardo e Jair Bolsonaro tinham “ciência prévia” das ações do governo americano contra autoridades brasileiras e trabalharam de forma coordenada para sua implementação. O relatório é taxativo: atuaram em “unidade de desígnios” para concretizar sanções de um país estrangeiro contra o Estado brasileiro.
Sanções, tarifas e ameaças
A ofensiva coincidiu com um pacote de medidas de Washington:
• aumento de 50% nas tarifas de produtos brasileiros,
• cancelamento dos vistos de ministros do STF,
• sanções financeiras contra Alexandre de Moraes, com base na lei Magnitsky.
O procurador-geral Paulo Gonet também perdeu o visto norte-americano e, segundo a PF, foi alvo de ameaças diretas de Eduardo Bolsonaro, que prometia sanções financeiras contra o chefe do MPF.
Impacto político e próximos passos
Se confirmada a denúncia, Bolsonaro e seu filho não apenas enfrentarão um novo processo criminal, mas terão consolidada a imagem de que atuaram contra o próprio Estado brasileiro em aliança com interesses externos. O STF, que já condenou o ex-presidente por tentativa de golpe de Estado, pode abrir mais uma frente judicial que ameaça corroer de vez a base política do bolsonarismo.
O inquérito segue sem prazo definido para conclusão, mas já evidencia um cenário inédito: um ex-presidente e seu herdeiro político acusados de colaborar com um governo estrangeiro contra a soberania nacional.




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