Brasil amplia cooperação com os EUA para combater tráfico internacional e avanço de facções
- Marcus Modesto
- há 59 minutos
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O governo do Brasil oficializou uma nova etapa da cooperação estratégica com os Estados Unidos no combate ao tráfico internacional de armas e drogas. O acordo, firmado em abril, amplia o intercâmbio de informações entre os dois países e reforça ações conjuntas contra organizações criminosas transnacionais, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
A parceria prevê integração direta entre a Receita Federal brasileira e a Alfândega e Proteção de Fronteiras americana, criando um sistema de monitoramento e compartilhamento de dados em tempo real para rastrear cargas suspeitas ainda na origem ou durante rotas internacionais.
Entre os mecanismos previstos está o Projeto MIT, responsável por integrar equipes dos dois países em operações coordenadas de inteligência e fiscalização. Outro eixo da cooperação é o sistema Desarma, voltado ao monitoramento de armas, munições e materiais considerados sensíveis pelas autoridades de segurança.
O fortalecimento da parceria ocorre em meio à preocupação crescente do governo americano com a expansão internacional das facções brasileiras. Investigações conduzidas nos Estados Unidos apontaram atuação de integrantes do PCC em operações ligadas ao tráfico de drogas em estados como Massachusetts.
Dados divulgados pelo governo brasileiro mostram aumento significativo nas apreensões de materiais ilícitos. Em um período de 12 meses, mais de 1.100 armas oriundas dos Estados Unidos foram apreendidas no Brasil. Somente no primeiro trimestre de 2026, cerca de 1,5 tonelada de drogas provenientes do território americano foi interceptada pelas autoridades brasileiras.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o acordo representa um avanço no enfrentamento ao crime organizado internacional.
“Vamos intensificar o combate ao tráfico internacional de armas e drogas com ações concretas, compartilhamento de dados e rastreamento rigoroso de cargas”, declarou o presidente em publicação nas redes sociais.
Apesar da ampliação da cooperação, segue em debate nos Estados Unidos a possibilidade de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A proposta ganhou força em Washington nos últimos meses e poderia abrir caminho para sanções financeiras internacionais, congelamento de bens e bloqueio de ativos relacionados às facções.
Mesmo com a pressão diplomática, Lula voltou a defender que o enfrentamento ao crime organizado deve ser conduzido pelas autoridades brasileiras, destacando a recente aprovação da chamada Lei Antifacção.
O promotor Lincoln Gakiya, referência nacional no combate ao PCC, também demonstrou cautela em relação à classificação das facções como grupos terroristas. Segundo ele, experiências semelhantes adotadas pelos Estados Unidos contra organizações criminosas latino-americanas não conseguiram eliminar o narcotráfico.
Especialistas ainda avaliam possíveis impactos econômicos e institucionais da medida, já que a legislação americana prevê bloqueios financeiros e sanções que podem atingir não apenas integrantes das facções, mas também pessoas e empresas investigadas por ligação com os grupos criminosos.




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