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Brasil enfrenta avanço contínuo dos casos de estupro de vulnerável

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 26 de jan.
  • 3 min de leitura

Entre 2019 e 2025, o Brasil contabilizou mais de 321 mil vítimas de estupro de vulnerável, segundo registros do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). O volume representa um crescimento acumulado de 55,5% em sete anos, evidenciando uma progressão constante desse tipo de violência em todo o país.


Somente em 2025, foram 57.329 vítimas, o maior número já registrado na série histórica. O total é 10,6% superior ao de 2024, quando o país havia registrado 51.834 ocorrências. Na prática, isso significa que, ao longo do período analisado, cerca de 157 pessoas foram vitimadas diariamente.


Os dados ainda podem sofrer atualização, já que estados como Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo não haviam encaminhado, até o fechamento do levantamento, as informações referentes ao mês de dezembro.


O que caracteriza o crime


De acordo com o Código Penal, o estupro de vulnerável envolve vítimas menores de 14 anos ou pessoas que, em razão de deficiência, doença ou outra condição, não possuem capacidade de consentimento. A legislação também abrange situações em que a vítima se encontra impossibilitada de resistir, como nos casos de embriaguez, uso de drogas ou inconsciência.


Para especialistas em segurança pública e direitos humanos, essa definição ampla é fundamental, já que muitos crimes acontecem em ambientes próximos à vítima, marcados por relações de confiança ou dependência, o que dificulta a denúncia e prolonga o silêncio.


Série histórica em alta


A evolução dos números mostra que o problema não é pontual. O crescimento mais significativo ocorreu entre 2021 e 2022, quando houve um aumento de 7.568 registros em apenas um ano. Desde então, os dados seguiram em ascensão, culminando no recorde observado em 2025.


No recorte estadual, São Paulo aparece com o maior número absoluto de casos: 77.354 ocorrências entre 2019 e 2025, mesmo sem a consolidação dos dados do último mês do ano passado. Em seguida vêm Rio Grande do Sul, com 28.831 registros, e Minas Gerais, com 27.580, demonstrando que o fenômeno atinge diferentes regiões e realidades socioeconômicas.


Quem são as principais vítimas


As estatísticas revelam um impacto desproporcional sobre meninas e mulheres, que correspondem a 85,5% das vítimas, somando 274.889 casos no período analisado. Os meninos e homens representam 13,5%, com 43.646 registros. Em 0,9% das ocorrências, o sexo da vítima não foi informado.


O recorte de gênero reforça que a violência sexual afeta principalmente crianças e adolescentes do sexo feminino, grupo que concentra maior vulnerabilidade social e emocional.


Casos emblemáticos de 2025


Alguns episódios registrados no último ano evidenciaram a gravidade do problema. No Distrito Federal, um comerciante foi preso após abusar de um homem com deficiência intelectual e esquizofrenia. Segundo a investigação, a vítima foi atraída para o interior do estabelecimento e submetida a violência sexual durante várias horas, com promessa de pagamento em dinheiro e gravação dos atos.


Em Goiás, um idoso de 83 anos foi investigado por abusar de uma criança autista de 12 anos. O crime veio à tona depois que a própria vítima conseguiu registrar a situação em vídeo, enquanto a mãe — que possui deficiência visual — conversava com o agressor sem perceber o que ocorria.


Os casos expõem a diversidade de cenários em que o estupro de vulnerável acontece e reforçam a necessidade de vigilância, denúncia e resposta rápida do Estado, como instrumentos essenciais para proteger vítimas e responsabilizar os autores.




 
 
 

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