Cedae assume o abastecimento em Barra do Piraí: promessa de 419 milhões até 2048, mas será a terceira vez que promete?
Contrato mira universalização até 2033, mas sem garantias contra histórico de interrupções
Na última sexta‑feira (18), a Prefeitura de Barra do Piraí e a Empresa Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) assinaram um contrato de concessão para assumir, novamente, o abastecimento de água e coleta de esgoto em todo o município. O acordo prevê investimentos de cerca de R$ 419 milhões até 2048, dos quais R$ 250 milhões devem ser aplicados até 2033, para universalizar os serviços nos cinco distritos da cidade .
Apesar da pompa do anúncio e do discurso de “nova história”, este é o terceiro ciclo em que a Cedae promete resolver os problemas estruturais de Barra do Piraí — o primeiro aconteceu em 2011, com a falida “ETA Mãe”, que jamais foi concluída, consumindo recursos públicos para, ao fim, dar lugar a um condomínio no terreno esta vez é diferente?
Moradores dos distritos de Vargem Alegre, Ipiabas e Ipiranga seguem enfrentando cortes de até 72 horas durante manutenções emergenciais ou interrupções de energia, fruto de infraestrutura debilitada. Esses episódios têm ocorrido com frequência em 2024 e 2025, mesmo após declarações públicas da Cedae sobre controle da qualidade e estabilidade do sistema .
Metas legais, mas quais garantias?
O contrato se apoia no Marco Legal do Saneamento (lei nº 14.026/2020), que exige universalização até 2033 e desempenho rígido dos concessionários . No entanto, todo o histórico de atrasos e falhas reforça a desconfiança sobre a capacidade da Cedae — ainda que pública — de cumprir o cronograma sem incentivo privado ou regime de fiscalização constante.
Falta de transparência e comunicação deficiente
Reclamações recorrentes sobre falta de comunicação prévia em casos de corte de água — seja por manutenção ou falta de energia — revelam falha na gestão operacional e no atendimento ao cidadão . Se áreas mais desenvolvidas sofrem com isso, como garantir bom serviço aos distritos periféricos, ainda carentes de infraestrutura básica?
O que esperar?
Embora a prefeita Katia Miki celebre o acordo com uma empresa estatal, seria prudente exigir:
• auditoria técnica independente dos sistemas antigos, para evitar repetir obras inacabadas;
• cláusulas contratuais ativas, com penalizações claras e métricas de desempenho rígidas;
• participação popular e fiscalização social, para acompanhar execução e prazos de forma transparente.
Tema Questionamento Crítico
Histórico de promessas Obras jamais concluídas mesmo com recursos investidos
Interrupções frequentes Falta de água em manutenção e falhas técnicas recorrentes
Legalidade vs. execução Contrato segue Marco Legal, mas sem garantias práticas
Comunicação com população Silêncio, ausência de aviso e falta de transparência operacional
Sem mecanismos robustos de controle, metas claras e participação cidadã, corre-se o risco de se eternizar mais um ciclo de promessas vazias, com investimentos concentrados e pouca entrega real à população. Barra do Piraí não pode aceitar outro fracasso — desta vez, cobrar responsabilidade será essencial.




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