Conselho de Paz proposto por Trump divide aliados e amplia debate diplomático global
- Marcus Modesto
- 22 de jan.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou cerca de 50 países e lideranças internacionais para integrar o chamado Conselho de Paz, iniciativa lançada com o objetivo inicial de supervisionar a situação na Faixa de Gaza após um eventual cessar-fogo. Desde o anúncio, no entanto, o próprio Trump deixou claro que o alcance do grupo pode extrapolar o conflito palestino e atuar em outras crises internacionais.
A proposta rapidamente ganhou repercussão no cenário diplomático, gerando adesões, resistências e críticas. Enquanto dezenas de países já confirmaram participação, outros avaliam o convite com cautela ou optaram por recusá-lo, apontando questionamentos institucionais, jurídicos e políticos.
Entre os líderes convidados está o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Até o momento, o governo brasileiro não confirmou adesão. Segundo interlocutores, a análise ocorre com prudência, diante do formato do conselho. Trump afirmou publicamente que gostaria que Lula exercesse um “grande papel” dentro da iniciativa.
Adesões já confirmadas
De acordo com um alto funcionário da Casa Branca, ouvido pela agência Reuters na quarta-feira (21), cerca de 35 líderes mundiais já aceitaram integrar o Conselho de Paz, de um total aproximado de 50 convites enviados. Embora o governo dos EUA não tenha divulgado uma lista oficial, informações reunidas por CNN, CNN Brasil e Reuters indicam a adesão de países como Arábia Saudita, Argentina, Armênia, Azerbaijão, Bahrein, Belarus, Catar, Cazaquistão, Egito, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Indonésia, Israel, Jordânia, Kosovo, Kuwait, Marrocos, Paraguai, Paquistão, Turquia, Uzbequistão e Vietnã.
A composição revela uma tentativa da Casa Branca de formar um grupo com representação de diferentes regiões, incluindo Oriente Médio, Europa Oriental, Ásia e América do Sul.
Convites em análise e críticas ao formato
Outros países, entre eles o Brasil, ainda não apresentaram resposta formal. Segundo apuração da CNN Brasil, há resistência dentro do governo brasileiro, que avalia haver concentração excessiva de poder na figura do presidente dos Estados Unidos, da forma como o conselho foi estruturado.
O Canadá informou que concordou “em princípio” com a proposta, mas destacou que os termos finais ainda estão em discussão. Já a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou precisar de mais tempo para avaliar o convite, citando possíveis conflitos com a Constituição italiana.
Também permanecem sem posição oficial países como Rússia, China, Polônia, Índia, Austrália e Irlanda. Trump chegou a afirmar que o presidente russo, Vladimir Putin, teria aceitado o convite, mas o Kremlin informou que a proposta segue em análise. Aliados históricos dos EUA, como Reino Unido, Alemanha e Japão, igualmente não anunciaram decisão. No caso alemão, um porta-voz confirmou que o chanceler Friedrich Merz não participará da cerimônia de assinatura do conselho, prevista para ocorrer durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.
Europa, Ucrânia e Vaticano
A Ucrânia informou que seus diplomatas estão examinando o convite, embora o presidente Volodymyr Zelensky tenha declarado ser difícil imaginar participação em um conselho que inclua a Rússia, após quatro anos de guerra entre os dois países.
Segundo fontes da Reuters, a presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen, também recebeu convite para representar a União Europeia, mas ainda não respondeu oficialmente. No campo religioso e diplomático, o papa Leão XIV foi convidado a integrar o grupo. A informação foi confirmada pelo cardeal Pietro Parolin, que afirmou ser necessário “um tempo de reflexão” antes de qualquer decisão.
Países que recusaram
Alguns governos já rejeitaram formalmente a iniciativa. Noruega, Suécia e Eslovênia recusaram o convite. A França também decidiu não participar, conforme informou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores francês. A negativa provocou reação direta de Trump, que ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses, elevando a tensão diplomática entre Paris e Washington.
A criação do Conselho de Paz, ainda em fase inicial, evidencia tanto a ambição internacional de Trump quanto as divisões e desconfianças que a proposta despertou entre aliados e potências globais.




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