Diagnóstico tardio expõe fragilidade da política para artesãos em Barra Mansa
- Marcus Modesto
- 23 de jan.
- 2 min de leitura
Reunião com cerca de 60 profissionais marca início de levantamento que só deve gerar ações concretas em 2026
A Prefeitura de Barra Mansa iniciou apenas agora um diagnóstico do setor de artesanato local, mesmo com cerca de 120 artesãos cadastrados no município e uma longa reivindicação por políticas públicas estruturadas. A reunião, realizada nesta sexta-feira (23) pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação, aconteceu na sede da Aciap e contou com apoio do Sebrae.
O encontro teve como foco o preenchimento de uma ficha de diagnóstico que irá mapear o perfil dos artesãos, as técnicas utilizadas e as principais demandas do setor. O levantamento, segundo a gestão municipal, deve servir de base para ações e eventos previstos somente para 2026 — um prazo que levanta questionamentos sobre a lentidão na formulação de políticas para a economia criativa local.
Apesar de o município já promover eventos como a Expo-BM, Flumisul e feiras temáticas em datas comemorativas, muitos artesãos ainda relatam dificuldade de acesso a esses espaços e ausência de uma política contínua de apoio, capacitação e geração de renda. A própria necessidade de iniciar um diagnóstico em 2025 evidencia a falta de dados consolidados e planejamento de longo prazo.
A analista do Sebrae, Cristiana Oliveira Lima, afirmou que o estudo permitirá estruturar trilhas de capacitação voltadas à gestão e ao desenvolvimento de novos produtos. A promessa, no entanto, ainda depende de resultados práticos e de recursos efetivamente destinados ao setor, algo que artesãos cobram há anos.
A gerente de Relações Empresariais e Turismo, Lenara Napoli, declarou que o objetivo é integrar o artesanato às ações de turismo e fortalecer a economia criativa, criando uma identidade artesanal própria de Barra Mansa. Na prática, essa identidade ainda está em construção e carece de políticas permanentes, não apenas de eventos pontuais.
A participação da salgadeira Lucia Helena do Nascimento, moradora do bairro Piteiras, ilustra bem esse cenário. Com mais de 30 anos de experiência, ela esteve pela primeira vez em uma reunião oficial com o coletivo de artesãos e busca uma oportunidade de integrar feiras e eventos promovidos pelo poder público. “Hoje produzo em casa e venho com expectativa de voltar a crescer”, relatou.
O desafio agora é transformar diagnósticos, discursos e reuniões em ações concretas, com calendário regular, critérios transparentes de participação e apoio real aos profissionais que mantêm viva a cultura e a economia criativa de Barra Mansa. Sem isso, o artesanato segue dependendo mais da resistência dos trabalhadores do que de uma política pública consistente.
Foto Divulgação




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