EDITORIAL | Câmara da Vergonha: O Fundo do Poço da Política em Barra Mansa
- Marcus Modesto
- 13 de jul.
- 2 min de leitura
Por Marcus Modesto
Barra Mansa vive uma realidade dura. Falta investimento em áreas essenciais, a população enfrenta problemas na saúde, reclama do transporte público, cobra melhorias na infraestrutura e espera respostas para desafios que se arrastam há anos. Diante desse cenário, seria natural que a Câmara Municipal estivesse na linha de frente da fiscalização, cobrando soluções e defendendo os interesses da cidade. Mas o que se vê é exatamente o contrário.
A atual legislatura caminha para ser lembrada como uma das mais fracas, silenciosas e irrelevantes da história recente de Barra Mansa. Salvo raras exceções, os vereadores parecem ter abdicado de sua principal função: fiscalizar o Poder Executivo e representar os interesses da população. O plenário que deveria ser palco dos grandes debates da cidade tornou-se um espaço de discursos vazios, homenagens protocolares e pouca efetividade.
A situação alcança um nível ainda mais preocupante quando o próprio presidente da Câmara se vê no centro de uma disputa judicial e política. O fato de o Ministério Público pedir seu afastamento da presidência é um acontecimento gravíssimo. Não se trata apenas de uma questão jurídica. Trata-se de um golpe na credibilidade da instituição. Quando a principal notícia envolvendo o Legislativo não é uma grande fiscalização ou um projeto transformador, mas um pedido de afastamento de seu principal dirigente, a mensagem para a sociedade é devastadora.
Enquanto isso, os problemas reais seguem sem resposta. Onde está a fiscalização rigorosa dos contratos públicos? Onde estão os debates sobre mobilidade, saneamento, desenvolvimento econômico e segurança? Onde estão as cobranças firmes diante das dificuldades enfrentadas pelos moradores? O silêncio da Câmara tem sido proporcional ao tamanho dos desafios da cidade.
O Legislativo de Barra Mansa parece cada vez mais distante das ruas. Muitos vereadores se especializaram na política da fotografia, da rede social e da autopromoção. Mas mandato não se mede por curtidas, vídeos ou aparições públicas. Mandato se mede por resultados, fiscalização e coragem para enfrentar interesses quando necessário.
A crise de credibilidade da política local não nasceu por acaso. Ela é consequência direta de uma atuação que frequentemente passa a impressão de complacência, acomodação e falta de compromisso com as demandas da população. A Câmara deveria ser um poder independente. Em muitos momentos, parece apenas uma extensão confortável do poder estabelecido.
Barra Mansa merece mais. Merece vereadores preparados, atuantes e comprometidos com o interesse público. Merece um Legislativo capaz de incomodar quando necessário, investigar quando houver dúvidas e cobrar quando houver falhas. O que a cidade não merece é assistir, de braços cruzados, ao enfraquecimento de uma instituição que deveria ser uma das principais defensoras da população.
A história costuma ser implacável com aqueles que ocupam cargos públicos sem deixar legado. E, até aqui, a atual Câmara Municipal parece caminhar perigosamente para ser lembrada não pelas soluções que apresentou, mas pela omissão diante dos problemas e pela crise de credibilidade que ajudou a aprofundar.
Foto Arquivo




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