Editorial: Pedir o fim da Lei Seca é brincar com vidas
- Marcus Modesto
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Por Marcus Modesto
A recente iniciativa do presidente da Câmara de Barra Mansa, Paulo Sandro Soares, pedindo a suspensão das blitzes da Lei Seca no Brasil no bairro Ano Bom, é mais do que um equívoco político. É um posicionamento que levanta sérias dúvidas sobre a compreensão do papel do poder público na defesa da vida.
O requerimento aprovado na Câmara solicita ao governo do estado que interrompa as operações na Avenida Tenente José Eduardo e em seu entorno. Entre os argumentos apresentados estão possíveis congestionamentos e dificuldades de acesso a unidades de saúde próximas, além de reclamações de comerciantes do polo gastronômico da região.
Mas a questão central é simples: a Lei Seca não existe para agradar motoristas, facilitar o trânsito ou preservar o movimento de bares e restaurantes. Ela existe para salvar vidas.
A fiscalização contra motoristas alcoolizados não é um capricho do Estado. Trata-se de uma política pública criada justamente para enfrentar uma das maiores causas de mortes no trânsito brasileiro. Ao longo dos anos, as operações reduziram acidentes graves e ajudaram a mudar comportamentos, mesmo que ainda haja resistência de parte da sociedade.
Por isso, quando uma autoridade pública defende o enfraquecimento dessa fiscalização, ainda que restrita a um ponto da cidade, a mensagem transmitida é preocupante. Parece sugerir que o incômodo causado por uma blitz pesa mais do que o risco de alguém beber e assumir o volante.
O argumento relacionado ao acesso a hospitais também precisa ser tratado com responsabilidade. É evidente que ambulâncias e profissionais de saúde precisam circular com rapidez. Porém, a solução para isso não é eliminar a fiscalização. O caminho é organizar melhor o trânsito, definir rotas de emergência e ajustar a operação sempre que necessário.
Da mesma forma, é difícil aceitar a tese de que a presença da Lei Seca prejudica o comércio. Desde quando a fiscalização contra quem bebe e dirige virou obstáculo para bares e restaurantes? O que se espera de qualquer atividade econômica é justamente o contrário: responsabilidade social.
Barra Mansa, como qualquer cidade brasileira, já conhece de perto os efeitos devastadores dos acidentes de trânsito. Famílias destruídas, vidas interrompidas e sequelas permanentes fazem parte de uma estatística que continua alarmante.
Diante disso, causa perplexidade ver o presidente do Legislativo municipal se posicionar contra uma das principais ferramentas de prevenção existentes.
O papel de um vereador — e ainda mais de um presidente de Câmara — deveria ser cobrar eficiência das operações, exigir organização no trânsito e buscar soluções que garantam segurança para todos. Pedir o fim das blitzes, porém, é caminhar na direção oposta.
No trânsito, a combinação entre álcool e direção continua sendo uma das maiores ameaças à vida. Enfraquecer o combate a esse problema não é defender o cidadão. É simplesmente ignorar uma realidade que já custou caro demais à sociedade.
Foto arquivo




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