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Esgoto à vista: o descaso que ameaça o futuro de Paraty e já atinge a Praia do Jabaquara

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 13 horas
  • 2 min de leitura

A cena se repete diariamente em Paraty — e já não pode mais ser ignorada. No fim de cada tarde, o esgoto despejado no Rio Perequê-Açu segue seu curso natural até o mar, carregando consigo não apenas poluentes, mas o retrato de um problema crônico: o colapso do saneamento básico.


E há um ponto onde esse impacto se torna ainda mais evidente — a Praia do Jabaquara.


Localizada próxima à foz do rio, a praia é uma das mais atingidas por esse fluxo contínuo de esgoto. Estudos e relatos apontam que a região já convive há anos com presença de resíduos e contaminação, reflexo direto da falta de tratamento adequado.


Não é coincidência. O que desce pelo rio chega inevitavelmente à areia e ao mar — e o resultado aparece na água turva, no mau cheiro e na perda gradual da qualidade ambiental.


O mais grave é que o problema é conhecido. As estruturas de despejo existem, são visíveis e continuam operando. Obras públicas acontecem, mas a raiz da questão segue intocada. O esgoto continua correndo livre.


E isso em uma cidade que depende diretamente do turismo.


Paraty construiu sua imagem sobre a beleza natural, o patrimônio histórico e a experiência única de suas praias. Mas essa realidade começa a se chocar com outra: praias contaminadas, rios degradados e riscos à saúde pública. Há registros, inclusive, de que praias como Jabaquara e Pontal já enfrentam problemas de balneabilidade devido à deficiência no tratamento de esgoto.


A conta chega — e chega rápido.


O impacto não é apenas ambiental. É econômico. É social. É sanitário. Um destino turístico não sobrevive à própria degradação.


É preciso também encarar a responsabilidade compartilhada. Sem rede de esgoto eficiente, muitos imóveis recorrem a soluções inadequadas ou simplesmente despejam resíduos de forma irregular. Isso agrava ainda mais o cenário. A adoção de fossas sépticas e sistemas corretos não é uma escolha — é uma necessidade urgente.


Mas a maior responsabilidade segue sendo do poder público. Não há mais espaço para discursos genéricos ou promessas vagas. O que se exige é ação concreta: investimento, fiscalização e um plano real de saneamento.


Porque enquanto o esgoto continuar descendo pelo Rio Perequê, a Praia do Jabaquara continuará pagando a conta.


E, com ela, toda Paraty.

Foto Arquivo


 
 
 

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