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Nova denúncia reacende elo entre milícia, jogo do bicho e ex-assessora de Flávio Bolsonaro

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 1 minuto
  • 2 min de leitura

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro voltou ao centro de um caso que mistura crime organizado, política e movimentações financeiras suspeitas. Nesta quinta-feira (19), foi apresentada denúncia contra Raimunda Veras Magalhães, ex-assessora parlamentar, por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho e à atuação de milícias no estado.


Raimunda é mãe do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, apontado como figura central do chamado Escritório do Crime. Ele morreu em 2020, durante uma operação policial na Bahia, mas, segundo as investigações, a engrenagem criminosa teria continuado ativa mesmo após sua morte.


Estrutura financeira sob suspeita


De acordo com os promotores, Raimunda teria feito parte de uma organização montada para ocultar a origem de recursos ilícitos. O grupo teria recorrido a empresas de fachada para movimentar valores milionários. Entre os estabelecimentos utilizados estariam negócios aparentemente comuns, como bar, restaurante, depósito de bebidas e até um espaço de estética em shopping.


As apurações indicam que cerca de R$ 8,5 milhões teriam circulado nesse sistema. Um dos pontos que chamou atenção foi o volume de aproximadamente R$ 2 milhões em créditos registrados em apenas seis meses por um desses estabelecimentos.


Continuidade do grupo criminoso


A denúncia sustenta que Adriano da Nóbrega exercia domínio sobre pontos de exploração do jogo do bicho em áreas como Copacabana, em parceria com o contraventor Bernardo Bello. Após sua morte, a estrutura não teria sido desarticulada, mas reorganizada.


O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) aponta que Julia Lotufo teria assumido papel estratégico, coordenando as finanças e os ativos do grupo, que também atuaria com agiotagem e negócios imobiliários irregulares.


Passagem pela política


Raimunda trabalhou no gabinete do hoje senador Flávio Bolsonaro entre 2016 e 2018, quando ele ainda era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio. À época, recebia salário mensal de R$ 6,4 mil e deixou o cargo a pedido.


O nome de Adriano da Nóbrega também já havia aparecido em outro episódio envolvendo o parlamentar: em 2005, ele foi homenageado com a Medalha Tiradentes, mesmo estando preso sob acusação de homicídio.


Reviravolta judicial


O caso já havia tramitado anteriormente, mas foi encerrado em 2021 após decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, que anularam provas por falhas processuais. Com isso, não houve análise do mérito das acusações naquele momento.


Agora, com a nova denúncia, o caso ganha novo fôlego e volta a levantar questionamentos sobre a conexão entre estruturas criminosas e seus tentáculos no poder público.


Defesa nega vínculo


Em nota, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que o senador não é citado como investigado ou acusado no processo. A defesa reforça que não existe qualquer relação entre ele e os fatos apurados.


Segundo o posicionamento, o vínculo profissional com Raimunda, encerrado há cerca de uma década, não implicaria responsabilidade sobre eventuais atos praticados por ela.


 
 
 

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