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Especialistas alertam: canetas para emagrecer podem agravar perda de autonomia em idosos

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 7 de jan.
  • 2 min de leitura

O avanço das chamadas canetas emagrecedoras trouxe novas possibilidades no tratamento da obesidade e do diabetes, mas também acendeu um sinal de alerta quando o uso ocorre entre pessoas idosas sem o devido acompanhamento médico. Para a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), a utilização indiscriminada dessas medicações pode acelerar a perda de massa muscular e comprometer a autonomia funcional dessa faixa etária.


De acordo com o presidente da entidade, Leonardo Oliva, os efeitos colaterais tendem a ser mais intensos em pessoas com 60 anos ou mais. Náuseas, vômitos, redução do apetite e dificuldade de ingestão de líquidos podem levar rapidamente à desidratação e a distúrbios eletrolíticos, condições consideradas graves no envelhecimento. Em um horizonte mais prolongado, o risco é o desenvolvimento de desnutrição.


Um dos pontos mais sensíveis destacados pelos especialistas é a perda de massa magra associada ao emagrecimento acelerado. Estudos indicam que uma parcela significativa do peso eliminado com essas medicações corresponde a músculo, e não apenas à gordura corporal. Em idosos, essa redução muscular pode resultar em perda de força, equilíbrio e capacidade de realizar tarefas básicas do cotidiano, com impacto direto na independência e na qualidade de vida.


O diretor-científico da SBGG, Ivan Aprahamian, reforça que a combinação entre menor ingestão alimentar, efeitos gastrointestinais e rápida redução de peso cria um cenário propício ao surgimento de síndromes geriátricas, como a sarcopenia e a fragilidade física. Segundo ele, em muitos casos, os danos funcionais não são totalmente reversíveis.


Os geriatras ressaltam que essas medicações têm indicação clara: tratamento da obesidade, do diabetes tipo 2 e de condições associadas, como a apneia do sono. O problema surge quando o uso é motivado apenas por objetivos estéticos ou pela busca de emagrecimento rápido. Para a SBGG, perder poucos quilos ou gordura localizada não justifica a exposição a riscos clínicos relevantes, especialmente na velhice.


Dentro de um plano terapêutico adequado, o emagrecimento do idoso deve ser lento e acompanhado por uma equipe multidisciplinar. Além do médico, nutricionistas e profissionais de educação física ou fisioterapia são fundamentais para garantir ingestão adequada de nutrientes e estímulo à atividade física, sobretudo exercícios de força, essenciais para preservar a musculatura.


Outro ponto enfatizado pelos especialistas é a necessidade de compreender o envelhecimento como um processo natural, que envolve mudanças na composição corporal. O acúmulo gradual de gordura e a redução de massa muscular fazem parte dessa dinâmica, mas o enfrentamento desse cenário deve priorizar saúde e funcionalidade, e não apenas o número mostrado pela balança.


A SBGG também faz um alerta contundente sobre a compra dessas medicações fora do circuito legal. Produtos falsificados ou adquiridos no mercado paralelo representam riscos adicionais, desde contaminações até a aplicação de substâncias desconhecidas no organismo. A exigência de receita médica existe justamente para assegurar avaliação individualizada, indicação correta e monitoramento de possíveis efeitos adversos.


Para os especialistas, emagrecer na velhice não pode ser tratado como uma solução rápida ou um modismo. O foco deve estar na preservação da saúde global, da autonomia e da qualidade de vida, evitando que uma estratégia mal conduzida produza mais prejuízos do que benefícios.



 
 
 

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