EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas e decisão provoca tensão diplomática com o Brasil
- Marcus Modesto
- 29 de mai.
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O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) a inclusão das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A medida, divulgada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, passa a valer oficialmente em 5 de junho e já provoca forte repercussão política e diplomática entre Brasília e Washington.
Segundo Rubio, as duas facções brasileiras estão entre as organizações criminosas mais violentas da América Latina e possuem atuação transnacional, com influência em rotas do narcotráfico, lavagem de dinheiro e tráfico de armas que alcançam os Estados Unidos e outros países da região.
A decisão foi tomada com base na Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA e em ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump. Além da classificação como organizações terroristas, PCC e CV também foram incluídos na lista de “Terroristas Globais Especialmente Designados”, ampliando o alcance de sanções financeiras e restrições internacionais.
Nos bastidores, o governo brasileiro tentou evitar a medida nos últimos meses. Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que a classificação abre precedentes perigosos para pressões econômicas, bloqueios financeiros e até futuras ações unilaterais dos EUA sob o argumento de combate ao “narcoterrorismo”.
Especialistas em relações internacionais e segurança pública demonstram preocupação com os impactos da decisão sobre a soberania brasileira. A principal crítica é que a nova classificação pode alterar os mecanismos de cooperação entre órgãos de investigação dos dois países, transferindo informações estratégicas para estruturas ligadas à inteligência militar norte-americana, como a CIA.
Outro temor é o uso político e geopolítico da medida. Desde o início do novo mandato de Trump, os EUA vêm endurecendo sua política para a América Latina, utilizando o discurso de combate ao narcotráfico para ampliar operações militares e ações de inteligência na região.
A decisão também ocorre em meio ao aumento da tensão política no Brasil. O anúncio coincidiu com encontros do secretário Marco Rubio com o senador Flávio Bolsonaro, em Washington. O parlamentar, aliado de Donald Trump e pré-candidato à Presidência da República, defende uma linha mais dura de combate às facções criminosas e vinha apoiando publicamente a classificação das organizações brasileiras como grupos terroristas.
Apesar da repercussão internacional, integrantes do governo Lula defendem que o combate ao crime organizado deve ocorrer com cooperação policial e inteligência financeira, sem interferências externas que possam comprometer a autonomia nacional.
A medida norte-americana ainda deve gerar novos desdobramentos diplomáticos, jurídicos e econômicos nas próximas semanas, principalmente após a publicação oficial da decisão no Federal Register dos Estados Unidos.




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