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Eurodeputado polonês pede identificação de brasileiras após gesto de apoio a Lula

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 30 minutos
2 min de leitura

Duas brasileiras que votaram no primeiro turno das eleições presidenciais em Varsóvia, na Polônia, acabaram no centro de uma controvérsia internacional depois que uma fotografia delas foi publicada pelo eurodeputado polonês Dominik Tarczyński nas redes sociais.


A imagem, registrada diante do local de votação brasileiro na capital polonesa, mostra as duas mulheres fazendo com as mãos o gesto de “L”, associado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Uma delas aparece usando um broche do Partido dos Trabalhadores.


Tarczyński publicou a fotografia no X e pediu que pessoas que soubessem quem eram as brasileiras entrassem em contato com ele por mensagem privada. A publicação foi acompanhada de um apelo considerado urgente pelo próprio parlamentar.


A situação ganhou contornos ainda mais políticos em uma publicação posterior. Ao comentar a disputa presidencial brasileira, o eurodeputado afirmou que ajudaria pessoalmente as mulheres a “arrumar as malas” diante de uma eventual deportação. Na mesma postagem, declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL), que avançou ao segundo turno.


Tarczyński justificou sua manifestação citando a legislação polonesa que estabelece restrições à promoção de regimes totalitários, incluindo o comunismo. A legislação, entretanto, não estabelece automaticamente que uma manifestação individual de preferência política ou o uso de um símbolo partidário estrangeiro resulte em deportação. Também não havia, até as informações divulgadas pelas reportagens consultadas, confirmação de um procedimento oficial de deportação contra as brasileiras.


O episódio colocou em discussão os limites entre a legislação polonesa sobre regimes totalitários e a manifestação individual de preferência política. O parlamentar não apresentou publicamente qual crime específico teria sido cometido pelas duas brasileiras nem indicou qual seria a base jurídica concreta para uma eventual deportação.


Tarczyński é integrante do Parlamento Europeu e do grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus. Antes de chegar ao Parlamento Europeu, exerceu mandato no Parlamento da Polônia entre 2015 e 2020.


A publicação também provocou reações nas redes sociais. Enquanto alguns usuários defenderam medidas contra as brasileiras, outros questionaram a tentativa de identificar as eleitoras apenas por sua manifestação política. O caso passou a repercutir justamente por envolver eleitoras brasileiras, uma eleição estrangeira e a atuação pública de um parlamentar europeu em defesa de um dos candidatos à Presidência do Brasil.



 
 
 

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