Feminicídio atinge patamar histórico e expõe escalada da violência contra mulheres no Brasil
- Marcus Modesto
- 21 de jan.
- 2 min de leitura
O Brasil encerrou 2025 com o maior número de feminicídios já registrado desde que o crime passou a integrar a legislação penal. Ao menos 1.470 mulheres foram assassinadas ao longo do ano por razões de gênero — uma média alarmante de quatro mortes por dia. Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O número supera o recorde anterior, de 2024, quando foram contabilizados 1.464 casos. A estatística ainda é provisória e pode crescer, já que unidades da federação, como São Paulo, ainda não concluíram o envio dos dados referentes ao mês de dezembro.
Estados mais populosos concentram maior volume de casos
Mesmo sem o fechamento completo das informações, São Paulo aparece na liderança em números absolutos, com 233 feminicídios registrados em 2025. Minas Gerais ocupa a segunda posição, com 139 casos, seguido pelo Rio de Janeiro, com 104. As informações são produzidas pelos estados e encaminhadas ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).
Desde 2015, quando o feminicídio passou a ser reconhecido oficialmente como crime no Brasil, 13.448 mulheres foram mortas em contextos de violência de gênero. O dado revela uma média anual de 1.345 vítimas ao longo da série histórica.
Alta superior a 300% em uma década
No primeiro ano de vigência da tipificação, em 2015, o país registrou 535 feminicídios. A comparação com os números atuais aponta um crescimento superior a 300% em dez anos. A elevação tem sido constante desde que o crime passou a ser contabilizado separadamente dos homicídios comuns.
Levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o avanço não se limita aos casos fatais. Aumentaram também registros de ameaças, perseguições, agressões físicas e estrangulamentos — práticas recorrentes que, muitas vezes, antecedem o assassinato.
Legislação endurecida, mas desafio permanece
Em outubro do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma nova lei que ampliou as penas para o crime de feminicídio. A punição passou de 12 a 30 anos para 20 a 40 anos de prisão, com possibilidade de agravamento em situações específicas, como crimes cometidos diante dos filhos da vítima ou contra mulheres grávidas.
Desde 2024, o feminicídio deixou de ser apenas uma qualificadora do homicídio e passou a figurar como crime autônomo no Código Penal. Apesar do endurecimento da legislação, os números revelam que o país ainda enfrenta enormes desafios para conter a violência contra mulheres e transformar proteção legal em prevenção efetiva.




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