Festa para poucos, problemas para muitos
- Marcus Modesto
- 5 de ago.
- 2 min de leitura
Enquanto Barra Mansa celebra um grande rodeio, a população continua esperando soluções para serviços essenciais
Barra Mansa acaba de entrar no circuito dos grandes rodeios do país. O anúncio do Chama Sertaneja Rodeio Show, previsto para outubro, foi cercado de entusiasmo, discursos otimistas e promessas de impacto econômico. A prefeitura comemorou o evento como um marco para o município, destacando o potencial turístico e a movimentação financeira que poderá gerar.
Mas a pergunta que muitos moradores fazem é outra: essa é realmente a prioridade da cidade?
Enquanto autoridades comemoram shows de artistas consagrados e projetam milhares de visitantes, boa parte da população convive diariamente com problemas que permanecem sem solução. As reclamações sobre a precariedade do atendimento na saúde pública, a demora para consultas e exames especializados, a falta de investimentos estruturais na educação e as deficiências da infraestrutura urbana continuam fazendo parte da rotina dos bairros.
O contraste é inevitável. De um lado, uma grande estrutura para receber o público de um evento sertanejo. Do outro, escolas que enfrentam desafios de manutenção, unidades de saúde sobrecarregadas e moradores que cobram melhorias em pavimentação, iluminação, transporte e segurança.
É evidente que eventos culturais e de entretenimento têm seu papel. Eles movimentam a economia, fortalecem o comércio e podem gerar empregos temporários. O problema surge quando a promoção dessas iniciativas passa a ocupar o centro do discurso político, enquanto demandas básicas permanecem sem respostas proporcionais.
A administração municipal afirma que o rodeio trará desenvolvimento e aquecerá diversos setores econômicos. A expectativa de receber milhares de visitantes certamente beneficia hotéis, bares, restaurantes e comerciantes. Porém, para o cidadão que aguarda atendimento médico, enfrenta dificuldades na educação dos filhos ou convive com problemas cotidianos em seu bairro, os benefícios indiretos podem parecer distantes.
Uma gestão pública eficiente precisa demonstrar equilíbrio entre incentivar eventos de grande porte e garantir que políticas públicas essenciais avancem no mesmo ritmo. O desenvolvimento econômico não deve ser tratado como alternativa aos investimentos em saúde, educação e infraestrutura, mas como complemento.
No fim das contas, a população não será lembrada pelos shows que assistiu, mas pela qualidade dos serviços públicos que recebeu. Porque, passada a festa, desmontado o palco e apagadas as luzes, os problemas do dia a dia continuarão esperando solução. E é justamente sobre essas respostas que a sociedade tem o direito de cobrar seus governantes.
Foto Divulgação




Comentários