Furlani quer empréstimo de R$ 100 milhões para construir ponte e caso exige atuação do Ministério Público
- Marcus Modesto
- 26 de jan.
- 2 min de leitura
Na véspera do feriadão de São Sebastião, os vereadores de Barra Mansa foram convocados às pressas para uma sessão extraordinária que pode comprometer o futuro financeiro do município. Em pauta, a autorização para que o prefeito Luiz Furlani contrate um empréstimo bancário de R$ 100 milhões. A informação foi divulgada pelo jornal aQui, de Volta Redonda.
Segundo fontes ouvidas pelo jornal, os recursos seriam destinados à construção de uma ponte ligando a região da Vista Alegre à Via Dutra — um projeto antigo, iniciado ainda no governo Rodrigo Drable e que nunca saiu do papel. À época, a obra foi amplamente anunciada como solução para a mobilidade urbana e vetor de desenvolvimento econômico, com promessa de início em 2023. A realidade mostrou outra coisa.
O projeto retorna agora com valor atualizado, discurso reciclado e um detalhe alarmante: a dívida só começará a ser paga cinco anos depois que o dinheiro entrar nos cofres da prefeitura. Ou seja, a gestão atual assume o anúncio e o desgaste político fica para governos futuros e para a população, que começará a pagar essa conta apenas em 2031.
Mais grave ainda é o fato de que existem alternativas de financiamento. O governo federal mantém programas voltados à mobilidade urbana e infraestrutura, acessíveis mediante apresentação de projetos técnicos consistentes. Além disso, deputados federais e estaduais dispõem de emendas parlamentares justamente para esse tipo de obra. Bastaria à prefeitura apresentar o projeto, articular politicamente e buscar recursos a fundo perdido, sem endividar o município.
Em vez disso, opta-se pelo caminho mais fácil — e mais oneroso: o empréstimo bancário. A escolha levanta suspeitas e exige explicações. Por que a pressa em votar a matéria em sessão extraordinária, em véspera de feriado? Onde estão os estudos de impacto financeiro, os pareceres técnicos atualizados e a demonstração de que essa é, de fato, a melhor opção para Barra Mansa?
Diante desse cenário, a atuação do Ministério Público se torna não apenas necessária, mas urgente. Cabe ao MP investigar o processo, exigir transparência, analisar a legalidade da operação de crédito e verificar se há desvio de finalidade, imprudência administrativa ou prejuízo ao interesse público.
Um empréstimo de R$ 100 milhões não pode ser tratado como mera formalidade legislativa. Trata-se de uma decisão que compromete o orçamento municipal por décadas. A sociedade precisa de respostas — e o Ministério Público precisa agir.
Foto Divulgação




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