Gilmar Mendes defende criação de “lei anti-embargo” para blindar autoridades brasileiras de sanções externas
- Marcus Modesto
- 30 de set. de 2025
- 2 min de leitura
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta terça-feira (30) que o Congresso Nacional discuta a criação de uma “lei anti-embargo”. A proposta teria como objetivo proteger autoridades brasileiras, instituições financeiras e prestadores de serviços contra sanções impostas por outros países — como a chamada Lei Magnitsky, utilizada pelos Estados Unidos contra o ministro Alexandre de Moraes.
A declaração foi feita durante participação em um evento do Lide, conforme reportado pelo jornal O Globo. Segundo Gilmar, a legislação funcionaria como um escudo para evitar que medidas internacionais prejudiquem agentes públicos e empresas nacionais.
“Estamos nos debruçando sobre um debate de lei anti-embargos para proteger as autoridades e também aquelas entidades que sofrem sanções secundárias, como bancos e prestadores de serviços. É preciso entrar neste mundo e discutir isso. E acho que o Congresso é o locus adequado para esse tipo de proteção”, afirmou o ministro.
Inspiração em modelos europeus
Gilmar explicou que a ideia se inspira em legislações adotadas na Europa para enfrentar restrições impostas a países como Cuba e Irã. O ministro destacou que, diante de episódios recentes envolvendo autoridades brasileiras, esse tipo de mecanismo ganharia relevância.
Ele citou como exemplo o caso do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que enfrentou dificuldades para obter visto a fim de participar de um evento da ONU, além da inclusão de Moraes em uma lista de sanções dos EUA.
“Na Europa existem várias discussões e decisões sobre isso, tendo em vista embargos aplicados a Cuba e ao Irã. Como recentemente houve a cassação de vistos de autoridades brasileiras e a aplicação da Magnitsky a um dos nossos colegas, esse é um fenômeno que também ocorre com autoridades europeias”, disse.
O que é uma lei anti-embargo
Na prática, uma lei anti-embargo busca neutralizar efeitos de punições externas dentro do território nacional.
• Proteção interna: se um ministro, juiz ou banco for alvo de sanções estrangeiras, a legislação impediria que essas medidas tivessem validade no Brasil.
• Exemplos internacionais: países europeus já adotaram normas semelhantes para resguardar seus cidadãos e empresas de embargos aplicados contra Cuba e Irã.
• Contexto brasileiro: a proposta surge após casos recentes de restrições a autoridades nacionais, como Padilha e Moraes, reacendendo o debate sobre soberania.
Debate em aberto
Críticos alertam que a adoção de uma lei anti-embargo pode tensionar relações diplomáticas, sinalizando resistência às regras internacionais de sanções. Já defensores, como Gilmar Mendes, enxergam no mecanismo uma forma de proteger o país contra ingerências externas e medidas de caráter político.




Comentários