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Mambucaba vive do turismo, mas turistas de motorhome são tratados como problema

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 1 hora
  • 3 min de leitura

Marcus Modesto

Fiscalização da Prefeitura de Angra dos Reis determina retirada de motorhomes da Vila Histórica após denúncias de moradores; visitantes questionam falta de sinalização e defendem regras claras para quem movimenta a economia local


A Vila Histórica de Mambucaba, em Angra dos Reis, é um daqueles lugares que deveriam ser tratados como patrimônio turístico e receber políticas capazes de estimular a permanência dos visitantes e movimentar a economia local. Mas, para um grupo de turistas que chegou à região em motorhomes, a recepção foi bem diferente.


A fiscalização de postura da Prefeitura de Angra dos Reis esteve no local e determinou que os veículos deixassem a área após denúncias apresentadas por moradores. O problema é que, segundo os turistas, não existe no trecho onde estavam qualquer placa ou sinalização informando que a permanência de motorhomes é proibida.


O casal, que está viajando pelo Brasil e preferiu não revelar a identidade por receio de possíveis problemas ou retaliações, questiona a maneira como a situação foi conduzida.


Segundo eles, os motorhomes estavam ocupados principalmente por famílias, sem registro de confusão, barulho ou sujeira. Ao contrário: os próprios visitantes afirmam que procuram manter o local limpo, organizado e respeitar a comunidade.


A reclamação central é simples: se existe uma regra proibindo a permanência de motorhomes naquele espaço, por que não há sinalização clara informando isso aos turistas?


A ausência de placas transforma uma questão que poderia ser resolvida com orientação em uma situação de constrangimento.


“Quando tem placa proibindo motorhome, a gente simplesmente não entra. Não estaciona. O mínimo seria uma sinalização”, relatou o casal.


E o questionamento é absolutamente pertinente.


Turistas não têm como adivinhar regras que não estão visíveis. Quem percorre centenas ou milhares de quilômetros em um motorhome precisa encontrar informações objetivas sobre onde pode estacionar, permanecer, pernoitar ou quais áreas possuem restrições.


Vila turística não pode enxergar turista como inimigo


É preciso também discutir o papel de alguns moradores que fazem denúncias contra os motorhomes.


Obviamente, qualquer cidadão tem o direito de reclamar quando há efetivamente barulho, sujeira, perturbação ou qualquer irregularidade. Mas não é razoável transformar a simples presença de turistas em um problema.


A Vila Histórica de Mambucaba vive do turismo.


O visitante que chega à região compra combustível, alimentos, utiliza restaurantes, mercados, farmácias, comércio local e serviços. Deixa dinheiro na comunidade. Divulga o destino. Volta para casa e pode levar consigo a imagem de Mambucaba — boa ou ruim.


É justamente esse visitante que deveria ser recebido com organização, informação e hospitalidade.


O turista de motorhome não é um invasor. É um turista como qualquer outro.


E, em muitos casos, trata-se de um visitante que permanece mais tempo no destino e consome diretamente no comércio da região.


O problema não é fiscalizar. É fiscalizar sem orientar.


Ninguém está defendendo que a Prefeitura deixe de fiscalizar.


Se existe legislação municipal, ambiental, urbanística ou de trânsito que impeça a permanência desses veículos naquele espaço, a regra precisa ser respeitada.


Mas fiscalização não pode significar simplesmente chegar e mandar embora.


É preciso informar. É preciso sinalizar. É preciso estabelecer regras claras.


Se a Vila Histórica não comporta motorhomes em determinado trecho, que sejam instaladas placas indicando a proibição.


Se existem áreas específicas onde esses veículos podem permanecer, que sejam divulgadas.


Se há necessidade de autorização ou de cumprimento de determinadas condições, que isso seja explicado aos visitantes.


O que não parece razoável é permitir que turistas cheguem de diferentes partes do Brasil e até de outros países, como argentinos e chilenos, e descubram somente depois que não podem permanecer no local — sem que exista uma sinalização evidente informando a restrição.


Turismo precisa ser tratado como atividade econômica


Angra dos Reis vende turismo. Mambucaba vende turismo. A história, a natureza, as praias e a arquitetura da Vila Histórica fazem parte desse patrimônio.


Então é preciso decidir: o turista é bem-vindo ou não?


Porque não adianta fazer campanhas para atrair visitantes, divulgar as belezas de Angra dos Reis e, quando eles chegam, não oferecer estrutura, informação e regras claras.


A Prefeitura precisa explicar publicamente qual é a legislação que fundamenta a retirada dos motorhomes e por que não existe sinalização no local indicando a proibição.


Também seria importante esclarecer se há estudos ou planejamento para criar áreas adequadas para receber esse tipo de turista.


A solução não precisa ser expulsar.


Pode ser organizar.


Pode ser regulamentar.


Pode ser criar um espaço apropriado.


Pode ser estabelecer horários, limites e regras de convivência.


O que não pode é tratar o visitante como problema antes mesmo de oferecer uma alternativa.


A Vila Histórica de Mambucaba precisa escolher entre ser uma comunidade aberta ao turismo, preparada para receber visitantes e aproveitar economicamente essa vocação, ou criar barreiras que podem acabar afastando justamente as pessoas que ajudam a movimentar a economia local.


Fiscalizar é obrigação do poder público. Receber bem também deveria ser.


Foto Marcus Modesto


 
 
 

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