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Ricardo Abrão, do PSDB, é alvo da Polícia Federal em investigação sobre compra de votos em Nilópolis

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 2 minutos
  • 3 min de leitura

Deputado federal é investigado por suspeita de financiar captação ilícita de votos; operação é desdobramento de apuração que já levou à prisão de 24 pessoas e atingiu o prefeito de Nilópolis, primo do parlamentar


O deputado federal Ricardo Abrão (PSDB-RJ) tornou-se, nesta quinta-feira (3), alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de compra de votos e corrupção eleitoral em Nilópolis, na Baixada Fluminense, durante as eleições municipais de 2024.


Agentes da PF cumpriram mandado de busca e apreensão na residência do parlamentar, em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, além de obterem autorização judicial para acessar dados de equipamentos eletrônicos. A medida foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).


Segundo informações divulgadas sobre a investigação, os policiais identificaram novos indícios de que Ricardo Abrão teria atuado como financiador da captação ilícita de votos em benefício do grupo investigado. A operação é um desdobramento de uma investigação iniciada em outubro de 2024.


Investigação começou nas eleições de 2024


Na véspera do primeiro turno das eleições municipais de 2024, a PF prendeu 24 pessoas em Nilópolis, entre elas três policiais militares. Segundo os investigadores, o grupo atuava como cabos eleitorais do então candidato à Prefeitura Abraão Davi Neto, o Abraãozinho (PL), primo de Ricardo Abrão.


Na ocasião, foram apreendidos aproximadamente R$ 63 mil em dinheiro, além de uma relação com nomes de eleitores que, segundo a investigação, poderiam receber valores em troca de votos. Os policiais também encontraram um veículo com propaganda eleitoral e uma pistola com dois carregadores.


A investigação avançou em fevereiro de 2025 com a Operação Astreia, que teve Abraãozinho entre os principais alvos. Na ocasião, a PF apreendeu R$ 172 mil em espécie, além de celulares, mídias e documentos. Os investigadores passaram a apurar suspeitas de compra de votos, fraude à cota de gênero, apropriação de recursos de financiamento eleitoral e lavagem de dinheiro.


A PF afirmou ter identificado um suposto esquema envolvendo candidaturas fictícias e uma rede de apoio que alcançaria servidores públicos e políticos locais.


Ricardo diz que não foi candidato em 2024


Em manifestação divulgada nesta quinta-feira, Ricardo Abrão afirmou ter recebido a operação “com estranheza” e ressaltou que não foi candidato nas eleições municipais de 2024.


O deputado declarou estar tranquilo e disse que permanece à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.


A alegação, entretanto, não encerra a investigação. O foco apontado pela PF não é a eventual candidatura de Ricardo em 2024, mas a suspeita de que ele teria financiado a captação ilícita de votos em favor do grupo investigado.


De família tradicional de Nilópolis à Câmara dos Deputados


Ricardo Martins David, conhecido politicamente como Ricardo Abrão, tem 53 anos, é advogado e empresário. É filho do ex-prefeito de Nilópolis Farid Abrão David e sobrinho de Aniz Abraão David, figura historicamente ligada à escola de samba Beija-Flor de Nilópolis.


O parlamentar começou sua trajetória política em 2001, trabalhando como chefe de gabinete do pai. Foi deputado estadual por dois mandatos e presidiu a Beija-Flor entre 2017 e 2021. Em 2022, recebeu mais de 43 mil votos para deputado federal.


Ricardo chegou à Câmara Federal de forma efetiva em abril de 2025, após a cassação do mandato de Chiquinho Brazão. Atualmente, consta oficialmente como deputado federal pelo PSDB do Rio de Janeiro e é candidato à reeleição em 2026.


Um novo capítulo de uma investigação que envolve o grupo político de Nilópolis


A operação desta quinta-feira coloca novamente o núcleo político ligado à família Abraão David no centro de uma investigação policial relacionada às eleições municipais de Nilópolis.


O caso ainda está em fase de investigação e Ricardo Abrão não foi condenado por crime eleitoral. A busca e apreensão e a investigação representam medidas de apuração, não uma conclusão de culpa.


Mas o episódio cria um problema político evidente para o parlamentar: um candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados passa a enfrentar uma investigação da Polícia Federal justamente por suspeitas relacionadas à compra de votos e ao financiamento de uma estrutura de captação ilícita de votos.


A Câmara dos Deputados registra Ricardo Abrão como deputado pelo PSDB-RJ, integrante da Federação PSDB-Cidadania.



 
 
 

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