Menino de 2 anos morre após atendimentos na UPA de Barra Mansa; família denuncia possível negligência médica
Thauan Lucas passou duas vezes pela UPA, recebeu alta às 21h37 e morreu no dia seguinte. Declaração de óbito registra choque distributivo, distúrbio grave de coagulação, acidemia metabólica refratária e meningococcemia em investigação. Documento aponta Hospital Regional como estabelecimento da ocorrência do óbito, informação que ainda precisa ser esclarecida diante do relato familiar sobre internação no Hospital do Retiro.
A morte de Thauan Lucas, uma criança de apenas dois anos, provocou revolta, tristeza e indignação entre familiares, amigos e moradores de Barra Mansa. O menino morreu no dia 5 de novembro, depois de uma sequência de atendimentos médicos que agora está sendo questionada pela família, que denuncia possíveis falhas na assistência prestada pela rede pública de saúde.
O caso levanta questionamentos sobre o atendimento realizado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Barra Mansa e exige explicações da Secretaria Municipal de Saúde e do prefeito Luiz Furlani.
Segundo o relato dos familiares, no dia 4 de novembro, Thauan foi levado à UPA do município. Na primeira passagem pela unidade, os sintomas teriam sido tratados como um quadro de gripe.
Como a criança continuava apresentando problemas de saúde, os responsáveis retornaram à unidade para uma segunda avaliação. Dessa vez, conforme a denúncia familiar, os profissionais teriam considerado a possibilidade de catapora e crises de asma.
Ainda segundo os familiares, foram prescritos Aerolin e um antialérgico. Thauan recebeu alta às 21h37 e foi levado para casa.
Entretanto, o estado de saúde do menino teria piorado pouco depois. A família relata que precisou procurar atendimento hospitalar novamente, desta vez no Hospital do Retiro, em Volta Redonda, onde a criança teria sido internada e diagnosticada com meningococcemia.
Apesar da assistência médica, Thauan não resistiu e morreu às 14h22 do dia 5 de novembro.
Declaração de óbito registra complicações gravíssimas
A denúncia ganha um elemento documental importante com a declaração de óbito apresentada pela família.
O documento médico, datado de 5 de novembro de 2026, registra as seguintes condições na cadeia de causas associadas à morte:
Choque distributivo;
Distúrbio de coagulação grave;
Acidemia metabólica refratária;
Meningococcemia em investigação.
Os registros demonstram a gravidade das complicações clínicas enfrentadas pela criança.
Um detalhe importante precisa ser observado: a declaração registra a meningococcemia como estando em investigação. Isso significa que o documento, isoladamente, não apresenta a confirmação laboratorial definitiva da doença.
Afinal, onde Thauan foi internado e onde morreu?
Outro ponto que precisa ser esclarecido é a identificação do estabelecimento de saúde na própria declaração de óbito.
Enquanto os familiares relatam que Thauan foi levado e internado no Hospital do Retiro, em Volta Redonda, o documento apresentado à reportagem identifica o Hospital Regional como estabelecimento da ocorrência do óbito, também em Volta Redonda.
Até o momento, não está esclarecido se a criança foi transferida do Hospital do Retiro para o Hospital Regional, se houve atendimento em outra unidade ou se existe alguma outra explicação para essa divergência.
A informação precisa ser confirmada junto à família e às unidades hospitalares envolvidas.
É uma questão importante para reconstruir corretamente a sequência dos acontecimentos, desde a saída da UPA de Barra Mansa até a morte da criança.
Meningococcemia pode evoluir rapidamente
A meningococcemia é uma manifestação invasiva da doença meningocócica, causada pela bactéria Neisseria meningitidis. A infecção atinge a corrente sanguínea e pode provocar sepse, choque circulatório, alterações graves na coagulação e comprometimento de órgãos.
O Ministério da Saúde alerta que a doença meningocócica pode apresentar evolução
rápida e exige atendimento imediato.
Os sintomas iniciais podem ser confundidos com os de outras enfermidades. Por isso, a avaliação clínica, o acompanhamento da evolução dos sintomas e a identificação de sinais de gravidade são fundamentais.
No caso de Thauan, a pergunta que precisa ser respondida é quais sintomas foram identificados durante as duas passagens pela UPA e quais critérios médicos justificaram a liberação da criança às 21h37.
Somente a análise dos prontuários e dos procedimentos adotados poderá esclarecer se houve falha na avaliação ou na assistência prestada.
Prefeitura precisa explicar os atendimentos na UPA
A principal cobrança da família é por respostas sobre o atendimento recebido pelo menino.
A Secretaria Municipal de Saúde precisa esclarecer:
Quais sintomas Thauan apresentava nas duas passagens pela UPA?
Quais foram os horários de entrada e saída de cada atendimento?
Como foi realizada a classificação de risco?
Quais avaliações clínicas foram feitas?
Foram solicitados exames?
Por que a criança recebeu alta às 21h37?
Quais critérios médicos justificaram a liberação?
A direção da UPA abriu procedimento para investigar o caso?
A Vigilância Epidemiológica foi notificada sobre a suspeita de doença meningocócica?
Qual foi a unidade hospitalar em que a criança efetivamente ficou internada e onde ocorreu o óbito?
Também é necessário esclarecer se os familiares e contatos próximos receberam orientação sobre as medidas preventivas indicadas diante da suspeita de doença meningocócica.
A família tem direito de solicitar acesso aos prontuários e aos registros dos atendimentos para compreender o que aconteceu.
Não se trata de antecipar um julgamento sobre os profissionais envolvidos, mas de exigir uma investigação transparente sobre uma morte que apresenta questionamentos graves.
Enquanto a Prefeitura se prepara para o Natal, família cobra respostas sobre a saúde
O episódio acontece em um momento em que o prefeito Luiz Furlani e a administração municipal divulgam investimentos e ações relacionados à programação de Natal.
A construção de uma nova UPA também foi anunciada pela Prefeitura no início de novembro, com previsão de uma estrutura maior e novos serviços.
Mas a população precisa de respostas sobre a qualidade do atendimento oferecido atualmente.
Saúde pública não se resume à construção de prédios, anúncios de investimentos ou equipamentos. Significa garantir atendimento adequado, profissionais preparados, avaliação criteriosa e condições para que pacientes, especialmente crianças, recebam a assistência necessária.
O prefeito Luiz Furlani e a Secretaria Municipal de Saúde precisam se manifestar sobre o caso e informar quais providências serão adotadas.
“Nosso Natal acabou”: família vive a dor de perder uma criança de dois anos
Em uma manifestação de profunda tristeza e indignação, um familiar publicou um desabafo direcionado ao prefeito Luiz Furlani.
“Nosso Natal acabou, senhor prefeito. A pior dor do mundo é ter que enterrar nosso príncipe, caixão lacrado, por causa de um enorme descaso.”
A família afirma que a Rua Miguel Gomes de Souza está de luto pela morte do menino e atribui o desfecho a possíveis negligências médicas.
Thauan tinha apenas dois anos. Uma criança que deveria estar brincando, descobrindo o mundo e crescendo ao lado de quem a amava.
Agora, familiares, amigos e vizinhos tentam encontrar explicações para uma perda irreparável.
A denúncia precisa ser investigada. Os prontuários precisam ser analisados. A divergência sobre o hospital onde ocorreu o óbito precisa ser esclarecida. E a Prefeitura precisa apresentar respostas à família e à população.
Uma criança de dois anos morreu depois de passar duas vezes pela UPA de Barra Mansa. A declaração de óbito registra complicações gravíssimas. A família questiona o atendimento e cobra investigação.
Não basta lamentar a tragédia. É preciso esclarecer o que aconteceu e, caso sejam comprovadas falhas, responsabilizar os envolvidos.
Uma família perdeu seu pequeno príncipe. Uma comunidade está de luto.
O Natal pode esperar. A saúde pública, não. E a morte de Thauan Lucas não pode ficar sem respostas.
Foto Arquivo

Atestado de óbito




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