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Menino de 2 anos morre após atendimentos na UPA de Barra Mansa; família denuncia possível negligência médica

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 46 minutos
5 min de leitura

Thauan Lucas passou duas vezes pela UPA, recebeu alta às 21h37 e morreu no dia seguinte. Declaração de óbito registra choque distributivo, distúrbio grave de coagulação, acidemia metabólica refratária e meningococcemia em investigação. Documento aponta Hospital Regional como estabelecimento da ocorrência do óbito, informação que ainda precisa ser esclarecida diante do relato familiar sobre internação no Hospital do Retiro.


A morte de Thauan Lucas, uma criança de apenas dois anos, provocou revolta, tristeza e indignação entre familiares, amigos e moradores de Barra Mansa. O menino morreu no dia 5 de novembro, depois de uma sequência de atendimentos médicos que agora está sendo questionada pela família, que denuncia possíveis falhas na assistência prestada pela rede pública de saúde.


O caso levanta questionamentos sobre o atendimento realizado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Barra Mansa e exige explicações da Secretaria Municipal de Saúde e do prefeito Luiz Furlani.


Segundo o relato dos familiares, no dia 4 de novembro, Thauan foi levado à UPA do município. Na primeira passagem pela unidade, os sintomas teriam sido tratados como um quadro de gripe.


Como a criança continuava apresentando problemas de saúde, os responsáveis retornaram à unidade para uma segunda avaliação. Dessa vez, conforme a denúncia familiar, os profissionais teriam considerado a possibilidade de catapora e crises de asma.


Ainda segundo os familiares, foram prescritos Aerolin e um antialérgico. Thauan recebeu alta às 21h37 e foi levado para casa.

Entretanto, o estado de saúde do menino teria piorado pouco depois. A família relata que precisou procurar atendimento hospitalar novamente, desta vez no Hospital do Retiro, em Volta Redonda, onde a criança teria sido internada e diagnosticada com meningococcemia.


Apesar da assistência médica, Thauan não resistiu e morreu às 14h22 do dia 5 de novembro.


Declaração de óbito registra complicações gravíssimas

A denúncia ganha um elemento documental importante com a declaração de óbito apresentada pela família.

O documento médico, datado de 5 de novembro de 2026, registra as seguintes condições na cadeia de causas associadas à morte:

  • Choque distributivo;

  • Distúrbio de coagulação grave;

  • Acidemia metabólica refratária;

  • Meningococcemia em investigação.

Os registros demonstram a gravidade das complicações clínicas enfrentadas pela criança.


Um detalhe importante precisa ser observado: a declaração registra a meningococcemia como estando em investigação. Isso significa que o documento, isoladamente, não apresenta a confirmação laboratorial definitiva da doença.

Afinal, onde Thauan foi internado e onde morreu?

Outro ponto que precisa ser esclarecido é a identificação do estabelecimento de saúde na própria declaração de óbito.


Enquanto os familiares relatam que Thauan foi levado e internado no Hospital do Retiro, em Volta Redonda, o documento apresentado à reportagem identifica o Hospital Regional como estabelecimento da ocorrência do óbito, também em Volta Redonda.


Até o momento, não está esclarecido se a criança foi transferida do Hospital do Retiro para o Hospital Regional, se houve atendimento em outra unidade ou se existe alguma outra explicação para essa divergência.

A informação precisa ser confirmada junto à família e às unidades hospitalares envolvidas.


É uma questão importante para reconstruir corretamente a sequência dos acontecimentos, desde a saída da UPA de Barra Mansa até a morte da criança.

Meningococcemia pode evoluir rapidamente

A meningococcemia é uma manifestação invasiva da doença meningocócica, causada pela bactéria Neisseria meningitidis. A infecção atinge a corrente sanguínea e pode provocar sepse, choque circulatório, alterações graves na coagulação e comprometimento de órgãos.


O Ministério da Saúde alerta que a doença meningocócica pode apresentar evolução

rápida e exige atendimento imediato.


Os sintomas iniciais podem ser confundidos com os de outras enfermidades. Por isso, a avaliação clínica, o acompanhamento da evolução dos sintomas e a identificação de sinais de gravidade são fundamentais.


No caso de Thauan, a pergunta que precisa ser respondida é quais sintomas foram identificados durante as duas passagens pela UPA e quais critérios médicos justificaram a liberação da criança às 21h37.


Somente a análise dos prontuários e dos procedimentos adotados poderá esclarecer se houve falha na avaliação ou na assistência prestada.


Prefeitura precisa explicar os atendimentos na UPA


A principal cobrança da família é por respostas sobre o atendimento recebido pelo menino.


A Secretaria Municipal de Saúde precisa esclarecer:


  • Quais sintomas Thauan apresentava nas duas passagens pela UPA?

  • Quais foram os horários de entrada e saída de cada atendimento?

  • Como foi realizada a classificação de risco?

  • Quais avaliações clínicas foram feitas?

  • Foram solicitados exames?

  • Por que a criança recebeu alta às 21h37?

  • Quais critérios médicos justificaram a liberação?

  • A direção da UPA abriu procedimento para investigar o caso?

  • A Vigilância Epidemiológica foi notificada sobre a suspeita de doença meningocócica?

  • Qual foi a unidade hospitalar em que a criança efetivamente ficou internada e onde ocorreu o óbito?


Também é necessário esclarecer se os familiares e contatos próximos receberam orientação sobre as medidas preventivas indicadas diante da suspeita de doença meningocócica.


A família tem direito de solicitar acesso aos prontuários e aos registros dos atendimentos para compreender o que aconteceu.


Não se trata de antecipar um julgamento sobre os profissionais envolvidos, mas de exigir uma investigação transparente sobre uma morte que apresenta questionamentos graves.


Enquanto a Prefeitura se prepara para o Natal, família cobra respostas sobre a saúde


O episódio acontece em um momento em que o prefeito Luiz Furlani e a administração municipal divulgam investimentos e ações relacionados à programação de Natal.


A construção de uma nova UPA também foi anunciada pela Prefeitura no início de novembro, com previsão de uma estrutura maior e novos serviços.

Mas a população precisa de respostas sobre a qualidade do atendimento oferecido atualmente.


Saúde pública não se resume à construção de prédios, anúncios de investimentos ou equipamentos. Significa garantir atendimento adequado, profissionais preparados, avaliação criteriosa e condições para que pacientes, especialmente crianças, recebam a assistência necessária.


O prefeito Luiz Furlani e a Secretaria Municipal de Saúde precisam se manifestar sobre o caso e informar quais providências serão adotadas.


“Nosso Natal acabou”: família vive a dor de perder uma criança de dois anos

Em uma manifestação de profunda tristeza e indignação, um familiar publicou um desabafo direcionado ao prefeito Luiz Furlani.


“Nosso Natal acabou, senhor prefeito. A pior dor do mundo é ter que enterrar nosso príncipe, caixão lacrado, por causa de um enorme descaso.”

A família afirma que a Rua Miguel Gomes de Souza está de luto pela morte do menino e atribui o desfecho a possíveis negligências médicas.


Thauan tinha apenas dois anos. Uma criança que deveria estar brincando, descobrindo o mundo e crescendo ao lado de quem a amava.


Agora, familiares, amigos e vizinhos tentam encontrar explicações para uma perda irreparável.


A denúncia precisa ser investigada. Os prontuários precisam ser analisados. A divergência sobre o hospital onde ocorreu o óbito precisa ser esclarecida. E a Prefeitura precisa apresentar respostas à família e à população.


Uma criança de dois anos morreu depois de passar duas vezes pela UPA de Barra Mansa. A declaração de óbito registra complicações gravíssimas. A família questiona o atendimento e cobra investigação.


Não basta lamentar a tragédia. É preciso esclarecer o que aconteceu e, caso sejam comprovadas falhas, responsabilizar os envolvidos.


Uma família perdeu seu pequeno príncipe. Uma comunidade está de luto.

O Natal pode esperar. A saúde pública, não. E a morte de Thauan Lucas não pode ficar sem respostas.

Foto Arquivo

Atestado de óbito


 
 
 

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