Mistério de mais de 100 anos é desvendado no Theatro Municipal do Rio
- Marcus Modesto
- 15 de jul.
- 2 min de leitura
Inscrição em escrita cuneiforme presente desde a inauguração do prédio revela ligação com o antigo Império Persa
Um dos maiores mistérios do Theatro Municipal do Rio de Janeiro foi finalmente solucionado após mais de um século. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro traduziram uma inscrição em escrita cuneiforme gravada na parede do histórico Salão Assyrio desde a inauguração do edifício, em 1909.
A descoberta revelou uma referência direta ao antigo Império Persa e ajudou a esclarecer a origem de elementos decorativos que há décadas despertavam curiosidade entre visitantes e especialistas.
O trabalho foi realizado pelos professores Alex Mazzanti, da UFRJ, e Matheus Treuk, da Uerj. A pesquisa começou de forma inesperada, durante uma visita guiada ao teatro. Ao notar a inscrição e perceber que não havia uma tradução conhecida, Mazzanti decidiu investigar seu significado.
Com o apoio de Treuk, especialista em arqueologia do Oriente Antigo e escrita cuneiforme, o texto foi finalmente decifrado. A inscrição diz:
“Do Apadana de Artaxerxes, grande rei, rei dos reis, filho do rei Dario.”
A frase faz referência ao Apadana, o grandioso salão de audiências dos reis persas, e a dois importantes soberanos do antigo Império Persa.
Apesar do nome, o Salão Assyrio possui forte influência da arquitetura e da arte persas. O ambiente reúne colunas inspiradas no Apadana, capitéis em forma de touro, relevos de leões e representações de arqueiros, elementos que remetem às grandes construções da antiga Pérsia.
Segundo os pesquisadores, a decoração foi inspirada nas descobertas arqueológicas realizadas na cidade de Susa, atual Irã, no fim do século XIX. Muitas das peças encontradas foram levadas para o Museu do Louvre e reproduzidas durante a Exposição Universal de Paris de 1889, a mesma que marcou a inauguração da Torre Eiffel.
As investigações indicam que a empresa francesa responsável pela ornamentação do salão adaptou uma inscrição histórica persa para compor o ambiente, criando uma versão única que não corresponde exatamente a nenhum monumento conhecido da antiguidade.
Para os estudiosos, a descoberta amplia a importância histórica do Salão Assyrio. Diferentemente de outras estruturas inspiradas na antiga Pérsia construídas para exposições internacionais e posteriormente desmontadas, o espaço do Theatro Municipal permanece preservado há mais de 100 anos.
A tradução da inscrição passará a integrar as visitas guiadas ao teatro, oferecendo ao público uma nova oportunidade de conhecer as conexões entre um dos principais patrimônios culturais do Brasil e as civilizações que marcaram a história da humanidade.




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