Monumento aos trabalhadores da CSN: atraso, aumento de custos e falta de prioridade
- Marcus Modesto
- 1 de abr. de 2025
- 2 min de leitura
A construção do monumento em homenagem aos trabalhadores da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), os chamados arigós, tornou-se mais um exemplo de obra pública marcada por atrasos e aumento de custos na gestão do prefeito Neto (PP) em Volta Redonda.
Iniciada em fevereiro de 2023, a obra deveria ter sido entregue em janeiro de 2024. No entanto, segue inacabada e, agora, recebeu um novo aditivo contratual que empurra a conclusão para julho deste ano. O prazo inicial já expirou há quase três meses, mas a Prefeitura segue estendendo a data de entrega, numa prática recorrente de postergação que vem se tornando regra no município.
Além do cronograma descumprido, o orçamento do projeto também cresceu. O custo inicial, de R$ 3,7 milhões, já subiu 15,14%, ultrapassando R$ 4,3 milhões. Segundo a Prefeitura, o reajuste foi necessário devido à inclusão de novos itens no projeto. No entanto, a falta de transparência na divulgação dessas mudanças levanta dúvidas sobre a real necessidade desse acréscimo de valores. A obra está sob responsabilidade da RM2 Construtora, uma empresa de São João de Meriti, na Baixada Fluminense – uma escolha que, por si só, gera questionamentos sobre a preferência por empresas de fora da região.
Desde o início, o projeto foi alvo de críticas. O vereador Raone Ferreira (PSB) denunciou possíveis irregularidades ao Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), apontando a falta de previsão orçamentária adequada e a inexistência de estudos de impacto ambiental e socioeconômico. Segundo ele, o monumento sequer estava previsto no Plano Plurianual (PPA) e não havia dotação suficiente na Lei Orçamentária Anual (LOA). Ou seja, trata-se de uma obra que, na visão do parlamentar, nasceu sem planejamento financeiro adequado, mas que, ainda assim, teve sua licitação aprovada.
Outro ponto controverso é a localização. A estrutura está sendo erguida na torre de TV do núcleo Fazendinha, no bairro Retiro, uma área que, segundo o Plano de Contingência Municipal, não seria ideal para esse tipo de construção. Além disso, moradores e lideranças comunitárias questionam a real necessidade do monumento, considerando que a cidade enfrenta problemas mais urgentes, como a precariedade no transporte público, infraestrutura deficitária e falta de investimentos em saúde e educação.
Apesar das denúncias, o Tribunal de Contas rejeitou a suspensão da licitação e arquivou o caso em março de 2023, alegando que a Prefeitura atendeu aos requisitos legais. No entanto, o descompasso entre o planejamento e a execução da obra reforça um padrão preocupante na administração municipal: promessas não cumpridas, dinheiro público desperdiçado e falta de sintonia com as reais necessidades da população.
O monumento, que deveria ser uma homenagem aos trabalhadores da CSN, corre o risco de se tornar um símbolo de má gestão e desperdício de recursos. Com o novo prazo se aproximando, resta saber se a obra será finalmente entregue ou se seguirá o triste roteiro de projetos inacabados que acumulam concreto, promessas e




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