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Museu da Imagem e do Som de Resende completa 38 anos preservando a memória do Sul Fluminense

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 1 minuto
3 min de leitura

Há lugares onde a história não está apenas escrita em livros. Ela pode ser ouvida, vista e até sentida. É esse o papel desempenhado há 38 anos pelo Museu da Imagem e do Som (MIS) de Resende, que se consolidou como um importante espaço de preservação da memória cultural da cidade e do Sul Fluminense.


Fundado em 3 de setembro de 1988 pelo historiador Claudionor Rosa, o museu nasceu de uma iniciativa pessoal. Apaixonado pela história e pela cultura, Claudionor reuniu durante anos documentos, fotografias, discos e equipamentos que ajudavam a contar a trajetória de Resende e de seus moradores. O acervo, inicialmente mantido em sua própria casa, acabou dando origem a uma instituição que atravessou décadas.


Hoje, o MIS reúne aproximadamente 20 mil discos de vinil, entre LPs nacionais e internacionais, compactos e raros discos de 78 rotações. O acervo também conta com 772 fotografias e cerca de 70 equipamentos audiovisuais históricos, entre máquinas fotográficas do tipo “lambe-lambe”, gramofones, radiolas e projetores de filmes.


Parte importante dessa coleção de discos veio da antiga Rádio Agulhas Negras. Durante a transição da emissora para o formato digital, sua coleção de vinis foi doada a Claudionor Rosa e posteriormente incorporada ao museu. O gesto ajudou a impedir que um pedaço importante da história da música e da comunicação regional fosse perdido.


Um museu que guarda muito mais do que discos


O MIS de Resende não é apenas um espaço dedicado à música. Seu acervo permite acompanhar transformações culturais, tecnológicas e sociais de diferentes períodos.


Cada disco, fotografia ou equipamento representa um fragmento de uma época. Os objetos ajudam a contar como as pessoas ouviam música, acompanhavam programas de rádio, registravam acontecimentos e preservavam suas próprias lembranças.


A importância do trabalho realizado em Resende também pode ser compreendida dentro da própria história dos museus desse gênero no Brasil. O Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, inaugurado em 1965, tornou-se uma referência nacional na preservação de registros audiovisuais e inspirou a criação de iniciativas semelhantes em outras cidades. O MIS de Resende aparece em levantamentos acadêmicos entre essas instituições.


Claudionor Rosa, o guardião da memória


Falecido em 2019, Claudionor Rosa deixou como legado justamente aquilo que mais preocupa quem trabalha com preservação histórica: evitar que o passado desapareça.


Segundo registros sobre o museu, ele chegou a Resende aos 23 anos e dedicou boa parte de sua trajetória à pesquisa histórica e à preservação da cultura local. O museu nasceu dessa dedicação e posteriormente passou a integrar a estrutura cultural do município.


Em 2026, ao completar 38 anos, o MIS mostra que a iniciativa daquele historiador continua viva. O espaço permanece como uma espécie de arquivo afetivo da cidade, reunindo sons, imagens e objetos que ajudam a explicar quem foi — e quem é — Resende.


Atualmente, o museu funciona no térreo da Casa da Cultura Macedo Miranda, na Rua Luiz da Rocha Miranda, 117, no Centro Histórico de Resende. A visitação é gratuita, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.


Mais do que comemorar uma data, os 38 anos do Museu da Imagem e do Som de Resende são uma oportunidade para lembrar que preservar a memória é também preservar a identidade de uma cidade.


Porque uma cidade que guarda seus discos, suas fotografias, suas vozes e seus objetos antigos não está simplesmente olhando para o passado. Está garantindo que as próximas gerações tenham a oportunidade de conhecer a história que ajudou a construir o presente.

Foto Divulgação


 
 
 

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