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Morre o jornalista Zuenir Ventura aos 95 anos

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 1 hora
3 min de leitura

Morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, o jornalista e escritor Zuenir Ventura, um dos nomes de maior destaque da imprensa brasileira. A morte foi confirmada pela família e pela Academia Brasileira de Letras (ABL). A causa do falecimento não havia sido divulgada até a publicação desta reportagem.


Nascido em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba, Minas Gerais, Zuenir construiu uma carreira de mais de seis décadas, marcada pelo jornalismo investigativo, pela reportagem e pela capacidade de transformar acontecimentos políticos e sociais do país em narrativas que ultrapassaram as páginas dos jornais.


Filho de um pintor de paredes e de uma dona de casa, mudou-se ainda criança com a família para Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio. Trabalhou como pintor, contínuo e arquivista antes de consolidar sua trajetória no jornalismo. Formou-se em Letras Neolatinas pela antiga Faculdade Nacional de Filosofia, hoje integrada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde teve professores como Manuel Bandeira e Alceu Amoroso Lima.


Zuenir iniciou a carreira na Tribuna da Imprensa, em 1956. Ao longo dos anos, passou por algumas das principais redações brasileiras, entre elas Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil e O Globo. Também atuou como professor e ajudou a formar gerações de jornalistas.


O jornalista que transformou reportagem em memória


Um dos grandes legados de Zuenir está nos livros-reportagem. Em 1988, publicou “1968 — O ano que não terminou”, obra que revisitou um dos períodos mais turbulentos da história recente do Brasil e se tornou referência para compreender os acontecimentos políticos e culturais daquele ano.


O livro posteriormente inspirou a minissérie “Anos Rebeldes”, exibida pela TV Globo em 1992. A relação de Zuenir com 1968, porém, não era apenas profissional: depois da decretação do AI-5, em dezembro daquele ano, ele foi preso pela ditadura militar e permaneceu cerca de três meses encarcerado.


Outro trabalho fundamental foi “Cidade partida”, resultado de uma ampla reportagem sobre a violência urbana no Rio de Janeiro, especialmente a realidade de Vigário Geral após a chacina ocorrida na comunidade. A obra ajudou a colocar em discussão as profundas desigualdades sociais e a relação entre violência, pobreza e exclusão.


Zuenir também se destacou pela cobertura sobre a Amazônia e a trajetória de Chico Mendes. Pela série de reportagens “O Acre de Chico Mendes”, recebeu em 1989 os prêmios Esso e Vladimir Herzog.


Uma cadeira na Academia Brasileira de Letras


A trajetória do jornalista também o levou à Academia Brasileira de Letras. Zuenir foi eleito em 30 de outubro de 2014 para a Cadeira 32, sucedendo o escritor Ariano Suassuna, e tomou posse em março de 2015.


Além de 1968 — O ano que não terminou e Cidade partida, publicou obras como Chico Mendes: crime e castigo, Minhas histórias dos outros, 1968: o que fizemos de nós e Sagrada família.


Sua produção recebeu importantes reconhecimentos ao longo da carreira, incluindo os prêmios Esso e Vladimir Herzog e outras distinções ligadas ao jornalismo e à defesa dos direitos humanos.


Zuenir Ventura deixa a mulher, a jornalista Mary Akiersztein, com quem era casado desde 1962, dois filhos e dois netos.


A morte encerra uma trajetória de 95 anos, mas deixa uma obra que permanece ligada à própria memória do Brasil. Zuenir fez do jornalismo mais do que um registro dos acontecimentos: transformou a reportagem em instrumento para compreender o país, suas contradições, seus personagens e os períodos que marcaram sua história.


Informações atualizadas com base em confirmações da Academia Brasileira de Letras e reportagens publicadas nesta terça-feira (22).



 
 
 

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