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Mães de crianças autistas denunciam falta de apoio nas creches de Paraty

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
9 de jul. de 2025
2 min de leitura



Enquanto o município se vangloria de avanços na educação, mães de crianças com deficiência seguem lutando, sozinhas, para garantir o mínimo de dignidade no atendimento dentro das creches municipais de Paraty. Um desabafo recente, feito de forma anônima por medo de retaliações, escancara a precariedade no acolhimento de alunos com autismo e a omissão do poder público diante de direitos básicos garantidos por lei.


A mãe relata que, apesar de seu filho — diagnosticado com autismo nível 2 de suporte — estar matriculado desde o ano passado, não há profissional de apoio individual (professor auxiliar) garantido. Na prática, ela é frequentemente chamada para buscar a criança antes do horário, com justificativas que variam desde ausência de funcionárias até episódios comuns de conflito entre crianças. O que deveria ser rotina virou um cenário de estresse constante.


“Toda vez que falta uma funcionária, me pedem pra buscar ele mais cedo. E hoje me ligaram porque ele brigou com um coleguinha. Mas será que todos os pais são chamados por isso ou só quem tem filho autista?”, questiona.


Essa não é uma história isolada. Em muitas unidades da rede municipal, faltam profissionais capacitados para lidar com o espectro autista, faltam protocolos claros, faltam equipes estáveis. Sobra despreparo e empurra-se o problema para as famílias, que já enfrentam múltiplas dificuldades para conciliar trabalho e cuidado com seus filhos.


É preciso lembrar: a presença de professor auxiliar para alunos com deficiência não é favor, é direito, garantido pela Lei Brasileira de Inclusão (13.146/2015) e pela própria Constituição. A falta desse suporte configura negligência e pode ser denunciada ao Ministério Público ou à Defensoria Pública, como corretamente busca fazer essa mãe.


Enquanto isso, a Prefeitura permanece omissa. Onde está a Secretaria de Educação de Paraty? Onde estão os planos de inclusão, os treinamentos, a valorização dos profissionais que atuam com essas crianças? A ausência do Estado, mais uma vez, recai sobre mulheres, mães solo, trabalhadoras que precisam escolher entre alimentar a família e garantir o direito à educação do filho.


É revoltante. É injusto. E é inadmissível.


Paraty precisa deixar o discurso bonito de inclusão e agir com responsabilidade, orçamento e estrutura real. Inclusão não se faz com frases em redes sociais. Se faz com gente formada, presente, e com políticas públicas que funcionem todos os dias — não só quando há fiscalização.


A pergunta que essa mãe faz é simples, mas poderosa: “O que eu preciso fazer para que meu filho tenha o direito de estudar e eu, o direito de trabalhar?”

E é essa pergunta que a Prefeitura precisa responder.


 
 
 

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