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Planalto evita exposição de ministros em desfile que homenageia Lula na Sapucaí

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 5 horas
  • 3 min de leitura

O Palácio do Planalto decidiu reduzir a participação de ministros no desfile da Acadêmicos de Niterói, que prestará homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Carnaval do Rio. A orientação partiu do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, que recomendou que integrantes do primeiro escalão não entrem na avenida ao lado da primeira-dama Janja Lula da Silva.


A avaliação interna é de que a presença de ministros em carro alegórico, em pleno ano eleitoral, poderia gerar desgaste político e alimentar críticas da oposição. A recomendação é que autoridades que comparecerem à Marquês de Sapucaí permaneçam em camarotes, evitando participação direta no desfile.


A escola desfila no domingo (15) e levará para a avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, narrando a trajetória do presidente desde a infância em Pernambuco até o Palácio do Planalto. Janja será destaque no último carro alegórico, batizado de “amigos de Lula”.


Exceções e ajustes


Sete ministros chegaram a ser cotados para integrar o desfile ao lado da primeira-dama, mas recuaram após a orientação da Secom. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, amiga pessoal de Janja e natural do Rio de Janeiro, deve ser a única integrante do primeiro escalão a permanecer na apresentação.


Também estão confirmadas presenças como a do presidente da Embratur, Marcelo Freixo, da neta do presidente, Bia Lula, além da cantora Teresa Cristina e da atriz Juliana Baroni. Parte dos convidados deve acompanhar o desfile em camarotes.


Questionamentos na Justiça Eleitoral


A decisão do Planalto também considerou o risco de questionamentos jurídicos. O Partido Novo acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alegando possível propaganda eleitoral antecipada. A sigla pede multa de R$ 9,65 milhões, valor estimado do desfile, e questiona o conteúdo do samba-enredo.


O TSE rejeitou o pedido liminar, mas destacou que a análise do mérito ainda pode ocorrer. A relatoria do caso ficou com a ministra Estela Aranha. Paralelamente, a Advocacia-Geral da União e a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Casa Civil reforçaram a orientação para que ministros não participem diretamente da apresentação.


Estratégia e cálculo político


Nos bastidores, o receio é que imagens do desfile sejam exploradas negativamente durante a campanha eleitoral. Há preocupação, sobretudo, com a repercussão em segmentos mais conservadores do eleitorado, incluindo parte dos evangélicos, grupo que o presidente busca reaproximar.


Outro ponto de atenção envolve convites feitos pelo cerimonial da primeira-dama a empresários, banqueiros, políticos e artistas, incluindo pedidos de envio de medidas para confecção de fantasias. Alguns optaram por aceitar apenas presença em espaços reservados.


Também há avaliação sobre o impacto político caso a Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial, tenha desempenho abaixo do esperado e acabe rebaixada — cenário que poderia gerar repercussão negativa associada ao governo.


Recursos e polêmicas


A escola receberá R$ 1 milhão de patrocínio da Embratur, dentro da cota destinada às agremiações do Grupo Especial. Questionamentos chegaram ao Tribunal de Contas da União (TCU), mas o ministro Aroldo Cedraz decidiu manter os repasses, afirmando que os critérios adotados são técnicos e isonômicos.


A controvérsia também alcançou a direção da escola. O presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares, foi exonerado de cargo que ocupava na Assembleia Legislativa do Rio após suspeitas de irregularidades.


Lula se torna o primeiro presidente da República a ser homenageado por uma escola de samba enquanto está no exercício do mandato. Ele já foi tema de enredos anteriores, em 2003 e 2012, mas fora do período em que ocupava a Presidência.



 
 
 

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