Toffoli deixa relatoria do caso Master
- Marcus Modesto
- há 3 horas
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Brasília, 12 de fevereiro de 2026 — O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixou nesta quinta-feira a relatoria das investigações envolvendo o Banco Master e as apurações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro. A decisão ocorre no meio de uma crise institucional na Corte, após a Polícia Federal (PF) ter citado o nome do ministro em mensagens extraídas dos aparelhos do banqueiro sob investigação.
O que aconteceu
Após uma reunião entre os dez ministros do STF, a Corte publicou uma nota oficial anunciando que Toffoli comunicou sua intenção de deixar a relatoria do chamado caso Master, abrindo caminho para que o processo seja redistribuído aleatoriamente entre os demais ministros.(*)
Segundo o texto firmado pelo plenário, a Corte entendeu que não havia cabimento automático para solicitar a suspeição de Toffoli, mas acolheu o pedido de saída do próprio ministro “considerando os altos interesses institucionais”.
Relatoria é o cargo que conduz e organiza um processo no STF, influenciando a tramitação e os despachos judiciais.
O que motivou a saída
O movimento ocorre em meio à pressão pública e política depois que a Polícia Federal entregou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um relatório em que há menções ao nome de Toffoli em conversas de Vorcaro. Embora o ministro tenha afirmado que não há motivos para se declarar suspeito na causa, a exposição dos fatos gerou questionamentos sobre sua imparcialidade na condução do caso.
Juristas ouvidos pela imprensa consideraram que a permanência de Toffoli no caso havia se tornado “insustentável”, justamente pela dúvida pública sobre sua imparcialidade, e que sua saída seria uma forma de preservar a credibilidade da Corte.
⚖️ Histórico da controvérsia
O caso Master trata de investigações de fraude e irregularidades no Banco Master, alvo de grandes apurações da Polícia Federal e que impacta clientes e credores em todo o país. Toffoli assumiu a relatoria do processo após sorteio no STF em novembro de 2025.
A polêmica ganhou força quando foram reveladas possíveis ligações econômicas entre o ministro e negócios que tangenciam alguns envolvidos no caso — inclusive transações societárias envolvendo empresas familiares de Toffoli e partes ligadas ao banqueiro investigado — que ele sempre negou que comprometessem sua imparcialidade.
Próximos passos
Com a saída de Toffoli da relatoria, a Presidência do STF promoverá a redistribuição dos processos, e um novo relator será sorteado entre os ministros. Enquanto isso, a investigação do Banco Master segue em andamento, com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e outros órgãos acompanhando os desdobramentos e eventuais implicações legais.




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