População de Barra Mansa desafia vereador Paulo Sandro a abrir mão dos sigilos bancário e telefônico
Ex-presidente da Câmara deixou o comando do Legislativo após recomendação do Ministério Público; questionamentos sobre sua gestão e gastos da Casa de Leis aumentam a cobrança por transparência.
A população de Barra Mansa tem uma cobrança que merece ser levada a sério pelo vereador Paulo Sandro Soares: se existe compromisso com a transparência e respeito ao dinheiro público, por que não abrir voluntariamente os sigilos bancário e telefônico para afastar dúvidas e demonstrar que não há nada a esconder?
O desafio não é pequeno. Paulo Sandro esteve à frente da presidência da Câmara Municipal durante um período marcado por questionamentos sobre a condução do Legislativo, decisões administrativas e utilização dos recursos públicos. Agora, mesmo fora da presidência, continua exercendo o mandato de vereador e precisa responder politicamente pelos atos de sua gestão.
A presidência sob questionamento do Ministério Público
Um dos episódios mais relevantes ocorreu em julho de 2026, quando a 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Volta Redonda recomendou o afastamento de Paulo Sandro da presidência da Câmara.
Segundo o Ministério Público, o parlamentar ocupava consecutivamente a presidência desde 2023 e havia sido eleito antecipadamente, em março de 2025, para permanecer no comando da Casa em 2026.
A Promotoria entendeu que a permanência por quatro anos consecutivos contrariava a interpretação do Supremo Tribunal Federal sobre os limites de recondução nas mesas diretoras do Legislativo.
O órgão recomendou a anulação da eleição realizada em março de 2025 e a realização de uma nova escolha. Em setembro, Paulo Sandro renunciou à presidência, permanecendo vereador.
Não se trata de uma simples divergência política. Foi uma intervenção institucional do Ministério Público que colocou sob questionamento a legalidade da permanência do parlamentar no comando do Legislativo.
Licitação de R$ 823 mil também exige explicações
Outro episódio que merece atenção envolve o Pregão Eletrônico nº 000004/2026, destinado à manutenção e recuperação das fachadas e paredes internas do segundo pavimento do Palácio Barão de Guapy.
O orçamento estimado pela Câmara foi de R$ 823.611,31. O processo ganhou questionamentos públicos depois que quatro empresas apresentaram propostas iniciais exatamente iguais ao valor de referência.
Como empresas diferentes chegaram precisamente ao mesmo valor? Houve disputa efetiva? A Câmara conseguiu alguma economia para os cofres públicos?
Não se pode afirmar que houve irregularidade apenas pela coincidência dos valores. Entretanto, diante da responsabilidade de administrar dinheiro público, a sociedade tem o direito de exigir explicações detalhadas sobre o procedimento, a concorrência e o resultado da contratação.
A pergunta que não quer calar
É nesse cenário que surge a cobrança pelo compromisso público de Paulo Sandro com a transparência. A população quer explicações, e o vereador tem a oportunidade de se posicionar diante dos questionamentos.
A abertura voluntária dos sigilos bancário e telefônico, dentro dos limites legais e com os procedimentos adequados, poderia ser uma demonstração de disposição para esclarecer dúvidas. Não é uma obrigação automática, nem significa que exista prova de crime. Mas é uma decisão que cabe ao próprio parlamentar avaliar.
Também é necessário que a Câmara disponibilize seus contratos, pagamentos, processos licitatórios e documentos administrativos para que a sociedade possa acompanhar como o dinheiro do contribuinte foi utilizado durante sua gestão.
Barra Mansa não precisa de explicações pela metade. Precisa de transparência, fiscalização e respeito ao cidadão.
Paulo Sandro teve nas mãos a responsabilidade de comandar o Poder Legislativo municipal. Agora, diante dos questionamentos sobre sua passagem pela presidência, não basta simplesmente dizer que trabalhou pela cidade. É preciso apresentar documentos, esclarecer decisões e permitir que os órgãos de controle e a população cumpram seu papel.
O desafio está lançado: transparência não pode ser apenas discurso de quem ocupa uma cadeira no Legislativo. Precisa ser uma prática. E quem administra recursos públicos deve estar preparado para responder às perguntas da sociedade.
Foto Arquivo




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