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Pátio de Manobras : Para o pedestre, nada mudou em Barra Mansa

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 22 de jan.
  • 2 min de leitura

Por Marcus Modesto


Apesar das visitas oficiais, das fotos protocolares e dos discursos otimistas, a realidade para quem anda a pé em Barra Mansa continua exatamente a mesma. O pedestre segue parado, exposto ao sol e à chuva, esperando o trem passar. Segue arriscando a própria vida em travessias improvisadas. E, tragicamente, segue morrendo em atropelamentos ferroviários.


Na última semana, a cidade recebeu o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o deputado federal Lindbergh Farias para uma visita técnica ao viaduto do Barbará, uma das estruturas do Pátio de Manobras, projeto anunciado há décadas como a solução definitiva para o conflito entre trens, veículos e pessoas. No discurso, trata-se de uma transformação histórica. Na rotina de quem vive a cidade a pé, essa transformação ainda não aconteceu.


Há um detalhe que precisa ser lembrado — e que costuma ser convenientemente ignorado. A solução mais direta e eficaz para o problema no Centro foi retirada do projeto original por decisão política. Durante a gestão do então prefeito Roosevelt Brasil, foi excluída a passagem subterrânea prevista na passagem de nível da Rua Duque de Caxias. Uma intervenção que permitiria a travessia segura de pedestres e veículos, eliminando o risco constante de atropelamentos, simplesmente deixou de existir no papel. O resultado dessa escolha é sentido até hoje.


É verdade que o Pátio de Manobras envolve recursos federais, obras sob responsabilidade do DNIT e a promessa de retirada das manobras ferroviárias do Centro. Mas, enquanto isso não se concretiza, o pedestre permanece invisível no planejamento imediato. Não há solução provisória eficiente, não há mitigação real dos riscos, não há sensibilidade com quem depende diariamente daquela travessia.


Se a Prefeitura quisesse, ao menos, amenizar a vida da população mais vulnerável, poderia adotar medidas simples e possíveis. Um exemplo claro é a instalação de um elevador na passarela existente, exclusivo para idosos e pessoas com mobilidade reduzida. Hoje, subir e descer dezenas de degraus é um obstáculo quase intransponível para quem já não tem mais condições físicas — transformando o direito de ir e vir em um teste de resistência.


A visita de autoridades reforça alianças políticas e rende boas imagens, mas não muda a realidade de quem fica parado diante da cancela fechada. A mobilidade prometida ainda não chegou ao chão da cidade. A segurança anunciada não protege quem mais precisa. E a qualidade de vida segue sendo apenas um slogan distante da rotina de quem convive diariamente com o risco imposto pelos trilhos.


Obras estruturantes são necessárias, mas não podem existir apenas como promessa futura. Enquanto decisões políticas do passado continuarem produzindo vítimas no presente, qualquer celebração soa não só prematura — mas desrespeitosa com a história e com a dor de Barra Mansa.

Foto arquivo


 
 
 

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