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Senado sob pressão: a resistência silenciosa à taxação dos mais ricos

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 19 de mar. de 2025
  • 2 min de leitura

A proposta do governo Lula de reformar o Imposto de Renda, com isenção para quem ganha até R$ 5 mil mensais e taxação progressiva de altas rendas, escancara uma realidade política incômoda: quando se trata de cobrar mais dos mais ricos, o Congresso Nacional reage com frieza e ceticismo.


Enquanto o Executivo defende a medida como uma questão de justiça tributária e busca a neutralidade fiscal — sem perda ou ganho na arrecadação —, as lideranças parlamentares, sobretudo no Senado, adotam uma postura calculada e, por vezes, silenciosa. A ausência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na cerimônia de apresentação do projeto no Palácio do Planalto não foi um mero acaso na agenda. Seu distanciamento, em um momento de debate crucial, simboliza a resistência latente ao avanço de políticas que confrontam interesses poderosos.


O presidente da Câmara, Hugo Motta, por sua vez, preferiu um discurso genérico de responsabilidade fiscal, evitando mencionar a taxação de milionários. Em vez de apoiar abertamente a medida, acenou para a possibilidade de cortar outras isenções tributárias — uma solução que historicamente não se traduz em resultados concretos no Congresso, sempre sensível aos lobbies empresariais e às pressões das bancadas mais influentes.


A contradição é evidente. Os mesmos parlamentares que cobram rigor fiscal do governo resistem quando as propostas atingem setores privilegiados — inclusive parte deles próprios, que podem ser diretamente afetados pela taxação de dividendos superiores a R$ 50 mil mensais. Essa postura seletiva revela que, quando o assunto é cobrar mais de quem pode pagar, o discurso em defesa da responsabilidade fiscal se esvazia diante dos interesses individuais e corporativos.


A demora na definição de um relator para o projeto na Câmara é outro indício da estratégia de postergar e desgastar a proposta. A disputa por protagonismo, especialmente no centrão, também expõe a visão eleitoreira que permeia o debate. Deputados e senadores querem capitalizar politicamente a isenção do IR para suas bases, mas sem carregar o peso de aprovar um imposto que desagrada os financiadores de suas campanhas.


O governo, por sua vez, tenta evitar que a proposta fique refém das manobras protelatórias do Congresso. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, insiste na necessidade de um debate transparente e na aprovação até o fim do ano para garantir a vigência em 2026. Mas a experiência recente com a desoneração da folha de pagamentos — que acabou judicializada no Supremo Tribunal Federal — deixa claro que, sem um acordo robusto, o risco de impasse é alto.


No fundo, o embate em torno do novo Imposto de Renda vai além de números e planilhas. Trata-se de um teste político para o governo Lula e um termômetro do real compromisso do Congresso com a redução da desigualdade. Até agora, a mensagem implícita de boa parte dos parlamentares é clara: justiça tributária, sim — desde que não mexa no bolso dos mais




 
 
 

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