Transporte público de Barra Mansa: um retrato do abandono, da omissão e do silêncio cúmplice
- Marcus Modesto
- 21 de jan.
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Por Marcus Modesto
Quem depende do transporte público em Barra Mansa sabe: andar de ônibus virou um teste diário de paciência e resistência. A frota é antiga, sucateada e desconfortável. Bancos quebrados, veículos barulhentos, calor excessivo, falhas mecânicas constantes e atrasos intermináveis fazem parte da rotina de quem não tem outra opção para se locomover. Trata-se de um serviço indigno, incompatível com a realidade e as necessidades da população.
O problema é antigo, conhecido e amplamente denunciado. Ainda assim, segue sem solução concreta. A concessão do transporte coletivo está claramente esgotada, sem capacidade de oferecer qualidade mínima. Mesmo diante desse cenário, a Prefeitura de Barra Mansa insiste em manter um modelo falido, sem fiscalização eficiente e sem coragem política para enfrentar os interesses envolvidos. A responsabilidade recai diretamente sobre o prefeito Luiz Furlani, que até agora não apresentou uma solução prática nem avançou na realização de uma nova licitação.
Mas o silêncio não vem apenas do Executivo. A Câmara Municipal também falha gravemente no seu papel. O presidente da Casa, vereador Paulo Sandro, assim como os demais vereadores, opta pela omissão. Não há cobranças firmes, audiências públicas efetivas, comissões atuantes ou pressão real sobre a concessionária e o governo municipal. A Câmara, que deveria ser a voz da população, assiste passivamente ao colapso do transporte coletivo.
A situação se torna ainda mais revoltante aos domingos. Oficialmente, o transporte é gratuito. Na realidade, ele simplesmente não acontece em muitos bairros. Linhas são reduzidas ou desaparecem, horários deixam de ser cumpridos e moradores ficam isolados, sem acesso ao trabalho, ao lazer ou a serviços essenciais. A chamada gratuidade dominical virou uma propaganda vazia, sem correspondência com a vida real da cidade.
Transporte público é serviço essencial, não favor. A ausência de ônibus aos domingos, somada à precariedade da frota nos demais dias da semana, revela um poder público desconectado da realidade da população. Sem fiscalização, sem cobrança e sem planejamento, o caos se perpetua.
Barra Mansa precisa, com urgência, de uma nova licitação do transporte coletivo — transparente, moderna e com regras duras. É necessário exigir frota renovada, acessibilidade, conforto, cumprimento rigoroso de horários e fiscalização contínua. Persistir como está é compactuar com o abandono.
Enquanto o prefeito se esquiva da responsabilidade e a Câmara Municipal permanece em silêncio, quem sofre é a população. A omissão do Executivo e do Legislativo tem nome, cargo e endereço. E o cidadão de Barra Mansa não pode continuar pagando essa conta sozinho.
Foto Arquivo




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