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Trump em queda: a popularidade do autoritarismo tem limite

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 22 de abr. de 2025
  • 2 min de leitura

O mais recente levantamento da Reuters/Ipsos lança luz sobre um cenário que, embora previsível, é alarmante: a aprovação do presidente Donald Trump despenca à medida que suas ações escancaram um projeto de poder cada vez mais autoritário e descolado dos valores democráticos que os EUA, ao menos em tese, representam.


Com apenas 42% de aprovação, Trump enfrenta o pior índice desde sua controversa volta à Casa Branca. A queda não é mero reflexo de desgaste natural de governo. É o resultado direto de medidas que desafiam frontalmente o Estado de Direito, instrumentalizam instituições culturais e tentam calar vozes dissonantes no meio acadêmico. Trump parece governar como se estivesse em campanha permanente, alimentando seu eleitorado mais radical enquanto despreza a pluralidade que sustenta uma democracia saudável.


Sua tentativa de punir universidades que considera “progressistas demais” não é apenas um gesto simbólico — é um ataque direto à liberdade de pensamento. Congelar bilhões de dólares em repasses públicos por discordância ideológica expõe um uso perverso do poder, próprio de regimes autoritários que não toleram crítica, debate ou diversidade de ideias. E não para por aí: sua autoproclamação como presidente do conselho do Kennedy Center e a ordem para que o Smithsonian Institution remova conteúdos que ele considera “impróprios” são sinais claros de que Trump enxerga a cultura como território a ser domado, não como expressão da sociedade.


A rejeição popular a essas posturas é significativa. A ampla maioria dos americanos rejeita a ideia de que o presidente possa ignorar decisões judiciais ou intervir em instituições culturais. Quando até mesmo um terço dos republicanos discorda de suas ações, fica claro que nem todos estão dispostos a seguir o capitão do navio rumo ao iceberg.


Mas talvez o dado mais preocupante seja o que revela que 59% da população já percebe uma perda de credibilidade internacional dos EUA. A pátria do “sonho americano” vai, aos poucos, virando pesadelo global, com um presidente que despreza acordos, desconfia da ciência, hostiliza a imprensa e flerta abertamente com o autoritarismo.


Trump ainda tenta normalizar o absurdo — cogita até disputar um terceiro mandato, embora a Constituição o proíba. A ideia, rejeitada por três quartos dos entrevistados, mostra o quanto sua ambição pessoal se sobrepõe às regras do jogo democrático.


O recado da pesquisa é claro: o autoritarismo pode até seduzir em tempos de crise, mas seu prazo de validade é curto. A democracia, por mais enfraquecida que esteja, ainda encontra fôlego na resistência popular. E é essa resistência que pode, mais uma vez, salvar os EUA de si mesmos.



 
 
 

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