Trump ironiza visual de Macron em Davos e acirra embate com líderes europeus
- Marcus Modesto
- 21 de jan.
- 2 min de leitura
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a provocar líderes europeus ao fazer um comentário sarcástico sobre o visual do presidente da França, Emmanuel Macron, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. A ironia foi feita nesta quarta-feira (21), um dia após Macron discursar usando óculos escuros em um evento realizado em local fechado.
Ao falar para a plateia, Trump disparou: “Eu o vi ontem, com aqueles lindos óculos de sol. Que diabos aconteceu?”. A frase rapidamente ganhou destaque nas redes sociais e foi interpretada como mais um capítulo da relação tensa entre Washington e governos da Europa.
A Presidência francesa tratou de esclarecer o episódio. Segundo a assessoria de Macron, o uso dos óculos não teve relação com estilo ou provocação política, mas sim com um problema de saúde: o presidente estaria com um vaso sanguíneo rompido no olho e precisou protegê-lo durante o discurso.
Memes, elogios e críticas políticas
Apesar da explicação oficial, a imagem de Macron de óculos escuros dominou a internet. Usuários dividiram-se entre elogios bem-humorados — alguns comparando o francês a personagens do filme Top Gun — e comentários irônicos. Ao mesmo tempo, o episódio acabou servindo de pano de fundo para críticas mais duras à postura do governo americano em temas internacionais.
No próprio discurso em Davos, Macron elevou o tom contra Washington ao classificar como “fundamentalmente inaceitáveis” as ameaças de novas tarifas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos, incluindo sobretaxas sobre vinhos e champanhes franceses. Para o presidente francês, trata-se de uma tentativa de pressionar a União Europeia em negociações sensíveis e de enfraquecer a posição do bloco. Ele afirmou que a França não recuará diante de “valentões”.
Groenlândia, Otan e novo foco de tensão
A troca de farpas ocorre em meio a um cenário mais amplo de atritos. Também nesta quarta-feira, Trump voltou a criticar a Europa, dizendo que o continente “não está indo na direção certa”. Embora tenha descartado intervenção militar, o presidente americano reafirmou o interesse em ampliar a influência dos Estados Unidos sobre a Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca e considerado estratégico no Ártico.
A declaração acendeu um alerta entre aliados da Otan, que veem risco de desgaste interno na aliança militar. Autoridades dinamarquesas e representantes da Groenlândia passaram a discutir alternativas para aumentar a cooperação com os EUA, diante da relevância geopolítica da ilha, que tem cerca de 57 mil habitantes.
O episódio dos óculos, aparentemente banal, acabou se transformando em símbolo de um confronto diplomático mais profundo, marcado por disputas comerciais, interesses estratégicos e um clima crescente de desconfiança entre Washington e as principais lideranças europeias.




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