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Três acidentes, nenhuma resposta: a ferrovia segue impondo o risco no Centro de Barra Mansa

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 23 de jan.
  • 2 min de leitura

O terceiro acidente em menos de 48 horas envolvendo a linha férrea no Sul Fluminense confirma o que moradores e pedestres já sabem há anos: atravessar os trilhos nos centros urbanos da região continua sendo um exercício diário de risco. Na manhã desta sexta-feira (23), um carro foi atingido por um trem nas proximidades da Ponte dos Arcos, no Centro de Barra Mansa. Até o momento, não há registro de feridos, mas o episódio reforça a sensação de que a sorte tem sido o principal fator de prevenção.


O caso se soma a outros dois ocorridos em sequência. Na manhã de quinta-feira (22), um homem de cerca de 35 anos ficou ferido ao ser atingido por uma composição ferroviária na passagem em nível da Rua Duque de Caxias, também no Centro de Barra Mansa. Ele foi socorrido pelo Samu e segue internado em estado estável. Horas antes, na noite de quarta-feira (21), em Volta Redonda, Carlos Eduardo do Nascimento Buchele, de 34 anos, morreu após ser atropelado por um trem no bairro Três Poços.


A repetição dos acidentes em um intervalo tão curto expõe uma falha estrutural que vai além do comportamento individual de motoristas ou pedestres. O problema está na convivência forçada entre ferrovia e área urbana, sem soluções eficazes para reduzir conflitos, garantir travessias seguras e proteger vidas. Sinalização, cancelas e alertas sonoros têm se mostrado insuficientes diante do volume de pessoas e veículos que circulam diariamente nesses pontos.


Enquanto projetos de grande porte seguem sendo anunciados como solução definitiva, a realidade é que nada mudou para quem precisa cruzar os trilhos todos os dias. O Centro de Barra Mansa permanece cortado por uma ferrovia que dita o ritmo da cidade e impõe riscos constantes, sem alternativas seguras e acessíveis.


O acidente envolvendo o carro, ainda que sem vítimas confirmadas, não deve ser tratado como um alívio, mas como um aviso. Cada nova ocorrência evidencia a ausência de medidas imediatas e a normalização do perigo. A pergunta que fica não é se novos acidentes vão acontecer, mas quando — e com que gravidade.


Enquanto isso, a linha férrea segue funcionando como fronteira e armadilha, atravessando o coração da cidade sem que a segurança acompanhe o movimento dos trens. Três acidentes em menos de dois dias não são coincidência. São o retrato de uma omissão que insiste em se repetir.


 
 
 

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