Fantasma na Alerj? PF apura vínculos e rotina de esposa de desembargador preso
- Marcus Modesto
- há 3 dias
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A Polícia Federal ampliou o foco de uma investigação que já envolve o desembargador Macário Neto e passou a analisar a atuação de sua esposa, Flávia Ferraço, sob suspeita de ocupação irregular de cargo público na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Segundo os investigadores, Flávia esteve nomeada durante a gestão do então presidente da Casa, Rodrigo Bacellar, também citado no mesmo inquérito. A apuração tenta esclarecer se a função era exercida de fato ou apenas constava nos registros oficiais.
Relatórios indicam que, enquanto figurava na folha de pagamento, Flávia passava longos períodos fora do estado do Rio de Janeiro, inclusive em viagens internacionais. Dados de geolocalização e mensagens analisadas pela Polícia Federal apontam ausência em dias úteis, quando deveria estar em atividade no cargo.
A remuneração mensal girava em torno de R$ 8,2 mil. Ao longo de aproximadamente dois anos e meio, os valores recebidos somariam mais de R$ 250 mil em recursos públicos.
Um dos episódios que mais chamou a atenção dos investigadores foi uma viagem ao exterior, entre 3 e 6 de setembro de 2025, quando o celular da investigada registrou presença em Santiago, no Chile. Não há indicação de afastamento oficial nesse período.
Outro ponto levantado diz respeito à residência. Registros apontam permanência frequente em Vitória. Em depoimento, Flávia afirmou morar há anos na capital capixaba, mas alegou comparecer regularmente ao Rio, com frequência semanal.
Mensagens obtidas pela investigação, no entanto, colocam em dúvida essa versão. Em uma delas, enviada ao próprio marido, Flávia afirma não ter emprego fixo, o que contrasta com sua nomeação formal na Alerj naquele período.
O inquérito também analisa conversas com o então diretor-geral da Casa, Marcos Brito. Em um trecho, ele sugere enquadrar a nomeação como indicação para composição de equipe. Em outra conversa, desta vez com uma amiga, Flávia afirma que o diretor sequer a conhecia — o que reforça as inconsistências apontadas pela Polícia Federal.
Os investigadores avaliam possíveis crimes como improbidade administrativa e analisam se houve influência na nomeação, considerando a relação entre Macário Neto e Rodrigo Bacellar. Flávia acabou exonerada cerca de três meses após uma das mensagens consideradas centrais no caso.
Até o momento, não houve manifestação pública da Alerj nem da investigada sobre as conclusões preliminares.




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